"Vamos regulamentar e sancionar a Lei de Incentivo a Cultura que já foi aprovada pelos deputados estaduais. Vamos criar o Conselho de Cultura e em conseqüência o Fundo Cultural. Vamos criar a secretaria de Cultura. Governador Confúcio Moura, em entrevista para o Zé Katraca -28/11/2010."
O exercício da profissão de músico não está condicionado ao prévio registro ou à concessão de licença pela entidade de classe. Esse foi entendimento do Plenário do Supremo Tribunal Federal que, por unanimidade dos votos, desproveu o Recurso Extraordinário, de autoria do Conselho Regional da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), em Santa Catarina.
"A liberdade de exercício profissional — inciso XIII, do artigo 5º, da CF — é quase absoluta", ressaltou a ministra relatora Ellen Gracie ao negar provimento ao recurso. Segundo ela, qualquer restrição a esta liberdade "só se justifica se houver necessidade de proteção do interesse público, por exemplo, pelo mau exercício de atividades para as quais seja necessário um conhecimento específico altamente técnico ou, ainda, alguma habilidade já demonstrada, como é o caso dos condutores de veículos".
A ministra considerou que as restrições ao exercício de qualquer profissão ou atividade devem obedecer ao princípio da mínima intervenção, a qual deve ser baseada pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Em relação ao caso concreto, Ellen Gracie avaliou que não há qualquer risco de dano social. "Não se trata de uma atividade como o exercício da profissão médica ou da profissão de engenheiro ou de advogado", disse.
"A música é uma arte em si, algo sublime, próximo da divindade, de modo que se tem talento para a música ou não se tem", completou a relatora. Na hipótese, a ministra entendeu que a liberdade de expressão se sobrepõe, como ocorreu no julgamento do RE 511.961, em que o tribunal afastou a exigência de registro e diploma para o exercício da profissão de jornalista.
O processo teve início com Mandado de Segurança apresentado contra ato da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), que exigiu dos autores da ação o registro na entidade de classe como condição para exercer a profissão.
O RE questionava acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, com base no artigo 5º, incisos IX e XIII, da Constituição Federal, entendeu que a atividade de músico não depende de registro ou licença e que a sua livre expressão não pode ser impedida por interesses do órgão de classe.
Para o TRF, o músico dispõe de meios próprios para pagar anuidades devidas, sem vincular sua cobrança à proibição do exercício da profissão. No recurso, a OMB sustentava afronta aos artigos 5º, incisos IX e XIII, e 170, parágrafo único, da CF, alegando que o exercício de qualquer profissão ou trabalho está condicionado pelas referidas normas constitucionais às qualificações específicas de cada profissão e que, no caso dos músicos, a Lei 3.857/60 (que regulamenta a atuação da Ordem dos Músicos) estabelece essas restrições.
Em novembro de 2009, o processo foi remetido ao Plenário pela 2ª Turma da Corte, ao considerar que o assunto guarda analogia com a questão do diploma para jornalista. Em decisão Plenária ocorrida no RE 511.961, em 17 de junho de 2009, os ministros julgaram inconstitucional a exigência de diploma de jornalista para o exercício profissional dessa categoria.
O voto da ministra Ellen Gracie, pelo desprovimento do RE, foi acompanhado integralmente pelos ministros da Corte. O ministro Ricardo Lewandowski lembrou que o artigo 215 da Constituição garante a todos os brasileiros o acesso aos bens da cultura "e as manifestações artísticas, inegavelmente, integram este universo". De acordo com ele, uma das características dos regimes totalitários é exatamente este, "o de se imiscuir na produção artística".
Nesse mesmo sentido, o ministro Celso de Mello afirmou que o excesso de regulamentação legislativa, muitas vezes, "denota de modo consciente ou não uma tendência totalitária no sentido de interferir no desempenho da atividade profissional". Conforme ele, "é evidente que não tem sentido, no caso da liberdade artística em relação à atividade musical, impor-se essa intervenção do Estado que se mostra tão restritiva". Para o ministro Gilmar Mendes, a intervenção do Estado apenas pode ocorrer quando, de fato, se impuser algum tipo de tutela. "Não há risco para a sociedade que justifique a tutela ou a intervenção estatal", disse.
O ministro Ayres Britto ressaltou que no inciso IX do artigo 5º, a Constituição Federal deixa claro que é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação. "E, no caso da música, sem dúvida estamos diante de arte pura talvez da mais sublime de todas as artes", avaliou.
Segundo o ministro Marco Aurélio, a situação concreta está enquadrada no parágrafo único do artigo 170 da CF, que revela que é assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. "A Ordem dos Músicos foi criada por lei, mas a lei não previu a obrigatoriedade de filiação, nem o ônus para os musicistas", salientou.
Por sua vez, o ministro Cezar Peluso acentuou que só se justifica a intervenção do Estado para restringir ou condicionar o exercício de profissão quando haja algum risco à ordem pública ou a direitos individuais. Ele aproveitou a oportunidade para elogiar o juiz de primeiro grau Carlos Alberto da Costa Dias que proferiu a decisão em 14 de maio de 2001, "cuja decisão é um primor". "Esta é uma bela sentença", disse o ministro, ao comentar que o TRF confirmou a decisão em uma folha.
Ao final, ficou estabelecido que os ministros da Corte estão autorizados a decidir, monocraticamente, matérias idênticas com base nesse precedente. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.
Para quem pesquisa ou estuda a História de Rondônia, uma constatação é inevitável: julho é, certamente, o mês que mais tem a ver com a História desta região, especialmente quando o assunto é a mais conhecida obra que temos por aqui, a ferrovia Madeira-Mamoré.
No total há pelo menos 10 fatos diretamente ligados à história rondoniense e à Madeira-Mamoré, envolvendo ocorrências como a proclamação da República do Acre, em 1899, passando pelo que muitos chamam de “nacionalização”, enquanto outros afirmam que apenas o governo brasileiro assumiu o que ficou estabelecido no contrato com a construtora da EFMM, até chegar à extinção das ações da “madrevia” cujo principal livro é o de Manoel Rodrigues Ferreira, intitulado “Ferrovia do Diabo”.
No contexto das datas importantes é interessante notar a presença de um dia especial, o 4 de julho, que pode ter aparecido na nossa história por serem, os construtores da Madeira-Mamoré cidadãos norte-americanos, e o quarto dia do mês ter sido escolhido por coincidir com o Independence Day – quem sabe?
Mas aqui há uma outra coincidência, quando num (também) 4 de julho o presidente JK derrubou a última árvore que separava as duas turmas de desmatamento da rodovia BR-29, atual BR-364, fato ocorrido em Vilhena.
Vamos à lista:
Dia 1 – Em 1912 – Começa a vigorar o contrato do Governo brasileiro com a empresa The Madeira-Mamoré Railway Limited arrendando por 60 anos a exploração da ferrovia Madeira-Mamoré (Francisco Matias – Pioneiros – Ocupação Humana e Trajetória Política de Rondônia).
Dia 4 – Em 1878 – A construtora P. & T. Collins faz circular a primeira locomotiva na Amazônia, num trecho inicial da Madeira-Mamoré. A máquina foi batizada com o nome de Coronel Church e capotou pouco depois da saída (Antonio Cantanhede, Achegas para a História de Porto Velho).
Dia 4 – Em 1909 – Circula o The Porto Velho Times, primeiro jornal impresso em Porto Velho, todo em língua inglesa (Lúcio Albuquerque, Da Caixa Francesa à Internet, Um século da Imprensa em Rondônia).
Dia 4 – Em 1960 – O presidente JK desembarca em Vilhena para derrubar a última árvore entre as duas turmas de construção da BR-29, atual BR364 (Paulo Nunes Leal, O Outro Braço da Cruz).
Dia 7 – Em 1911 – O presidente Hermes da Fonseca assina o decreto 8.776 que determina seja concedida à construtora da Madeira-Mamoré a faixa de 150 metros para cada lado dos trilhos da ferrovia. Com isso criou-se a Avenida divisória (hoje Avenida Presidente Dutra), cada lado com suas normas (Antonio Cantanhede, Achegas para a História de Porto Velho).
9 – 1910 – O sanitarista Osvaldo Cruz chega a Porto Velho acompanhado do médico Belisário Pena. Eles vão fazer o levantamento sanitário da construção da EFMM, especialmente no tocante a medidas ao combate à malária e à febre amarela (site gentedeopiniao.com.br, julho/2010).
10 – 1931 – Pelo decreto 20.200 o governo brasileiro restabelece os serviços da EFMM e nomeia o capitão Aluízio Ferreira para ser seu administrador – o primeiro brasileiro na função. É a Nacionalização da Madeira-Mamoré (Vitor Hugo, Cinquenta anos do Território Federal do Guaporé).
10 – 1972 – O último trem apita no pátio da Madeira-Mamoré em Porto Velho. Está extinta a ferrovia (Vitor Hugo, Cinquenta anos do Território Federal do Guaporé). 10 – 1981 – O governador Jorge Teixeira reativa trecho de Porto Velho a Santo Antonio da ferrovia Madeira-Mamoré (Vitor Hugo, Cinquenta anos do Território Federal do Guaporé)
12 – 1972 – O Ministério dos Transportes homologa a determinação de erradicar a ferrovia Madeira-Mamoré (Vitor Hugo, Cinquenta anos do Território Federal do Guaporé).
30 – 1965 – O presidente Castelo Branco assina o decreto 56.629 criando o 5º Batalhão de Engenharia de Construção, com sede em Porto Velho e responsável pela manutenção dos trechos rondoniense e acreano da rodovia BR-364 (Gen. Bgda. Tibério Kimmel de Macedo, Eles não viveram em vão - sobre o 5º BEC).
Em tempo: As datas e fatos citados, com seus autores e fontes, estão inseridas no livro “Datas de Rondônia”, a ser editado em seis fascículos a partir de janeiro de 2012, uma contribuição para divulgar os autores e oportunizar a que se conheça melhor a história de Rondônia.
Entrevista com o professor de Língua Portuguesa, Redação e Oratória IRONI ANDRADE
O entrevistado, professor Ironi Andrade, é natural de Arvorezinha, estado do Rio Grande do Sul. Concluiu o ensino primário aos 12 anos. Depois disso, haja vista seus pais não poderem custear seus estudos, mantendo-o na cidade, dedicou-se à agricultura até os 17 anos.
Com essa idade, prestou exame de admissão ao ginásio e foi estudar em Estrela, também no Rio Grande do Sul. Lá, cursou a escola normal e o técnico agrícola. Ao final desses estudos, e como a reforma do ensino fez com que desaparecessem os professores com aquele tipo de formação, ele prestou exames ao ensino supletivo, na época Madureza Ginasial. Eliminou todas as matérias numa vez só. Em exatamente 30 dias, concluiu o segundo grau, hoje ensino médio.
Aí, prestou vestibular para Agronomia. Aprovado, não pôde cursar, porque seus pais não podiam pagar uma faculdade. Fez vestibular para Letras e, com o próprio trabalho, pagou seus próprios estudos.
Especializou-se, depois, em Língua Portuguesa, em Redação, em Literatura Brasileira e em Oratória.
Formou-se, bem mais tarde, em Direito e, hoje, atua em ambos os campos com a mesma desenvoltura e competência.
Já ministrou 120 cursos de Oratória, disciplina que implantou na Universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, em nível de extensão universitária.
Sempre na ânsia de divulgar o idioma, escreve para vários jornais e várias revistas e mantém, diariamente, Dicas de Português na RBS TV, emissora de televisão do conglomerado Rede Brasil Sul de Comunicações.
Tem ministrado treinamentos em tribunais de todo o Brasil, ora a servidores da justiça, ora a juízes. Especializou-se, especialmente, em redação de sentenças.
Palestrante admirável, é disputadíssimo em praticamente todos os estados brasileiros e em vários países estrangeiros.
É comendador pela Associação dos Jornalistas do Brasil, grau Comunicação Social, e recebeu o Prêmio Competência três vezes consecutivas por ser considerado o melhor professor do Rio Grande do Sul.
Professor da Escola Superior da Magistratura, é ex-presidente do Comitê Pró-Implantação do Idioma Oficial do Mercosul, no qual coordenou uma equipe de estudiosos do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e do Chile.
Ex-presidente da Academia Passo-Fundense de Letras, foi apresentador, por um ano e meio, de programa diário sobre o Idioma Pátrio na televisão por cabo.
Orgulha-se muito e, também, se emociona ao lembrar que existe, na cidade de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, um Clube de Oratória denominado ‘Clube de Oratória Prof. Ironi Andrade’.
Sim, amigos internautas, esse é um brevíssimo resumo da biografia de nosso entrevistado. E vejam que entrevista!
Em mais uma das suas contribuições à nação, através de seus cursos, dessa vez em Porto Velho/RO, direcionado aos empregados da Centrais Elétrica de Rondônia S.A – CERON, o Professor Ironi Andrande, do alto da sua humildade, concedeu-nos esta maravilhosa e esclarecedora entrevista, que agora tenho orgulho de compartilhar vocês. Bom proveito.
Sérgio Ramos – Qual a importância do idioma para um país? Professor IRONI ANDRADE – Em primeiro lugar, temos que destacar o fato de que o idioma, em todos os países, é um símbolo pátrio por excelência. A primeira importância está justamente aí: o fato de o idioma ser um símbolo pátrio por excelência. Enquanto a bandeira e o hino são símbolos instituídos (e impostos) por lei, e por isso mesmo menores, o idioma é símbolo pela própria natureza. Todos os grandes pensadores, aliás, defendem a teoria de que o idioma é o símbolo pátrio por excelência. Se é verdade que nós morreríamos pela pátria, nós teríamos que morrer também pela defesa do idioma. É verdade sim que nós temos que defender o idioma com defendemos nossa pátria, nossos amigos, nossa própria família. Em segundo lugar, o idioma é importante para qualquer país, especialmente para o Brasil, porque é o elemento agregador numa extensão territorial imensa, de regiões distantes e, de certa forma, desagregadas. Se existem algumas diferenças, algumas características regionais que fazem com que o Norte fale um pouco diferente do Sul; o Sul um pouco diferente do Nordeste; que a região mais central do Brasil seja um ponto de equilíbrio; a verdade é que todos os brasileiros se sentem irmanados, ligados, unidos. E o elemento que liga toda essa gente, nesse território imenso, é exatamente a língua que praticamos. E, por fim, o que seria de nós sem o domínio do nosso idioma? O que seria de nossa pátria, sem as leis, os regulamentos, enfim, sem nada escrito, se o que é escrito é o que de fato vale? Por esses, e muitos outros, motivos é que o idioma é o símbolo mais importante em qualquer país, e para todos os povos.
SÉRGIO RAMOS – Como seria o Brasil se nossos governantes, legisladores e juízes tivessem domínio pleno do idioma, da Língua Portuguesa? Professor IRONI ANDRADE – Em primeiro lugar, e um ponto altamente relevante, seria, com certeza, o do exemplo. Se as autoridades máximas do país, como tu falas, tivessem um desempenho lingüístico exemplar, seriam exemplos. Porque eu acho muito interessante este fato: prega-se que todo ídolo da música, do esporte deve ter um comportamento escorreito para servir de exemplo para a população. E o que dizer das autoridades constituídas? Começaria que, do Congresso Nacional, sairiam leis, por exemplo, mais bem acabadas, textos menos confusos, de mais fácil compreensão e, conseqüentemente, de mais fácil assimilação por parte de todos os brasileiros. De mais a mais, pessoas cultas são um pressuposto indispensável para a arrancada rumo ao verdadeiro progresso. As pessoas, seguidamente, me perguntam: por que, em países como os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, o progresso é tão notável? E aí eu sempre lembro de citar, dentre outras causas, o fato de que, nesses países, o curso de Administração de Empresas funciona como um curso complementar. O médico faz Administração de Empresas, o advogado cursa Administração de Empresas, a dona de casa cursa Administração de Empresas. Então, todos já sabem administrar razoavelmente bem, de sua cozinha à sua empresa. Existe uma bagagem cultural por detrás desse desenvolvimento todo. E não restam dúvidas: quanto mais elevado for o nível cultural, maior será o desenvolvimento, maior será a harmonia entre as pessoas, menor será o índice de conflitos, coisas mal-entendidas, mal-expressadas, e assim por diante. Esse deve ser, com certeza, o grande sonho. Sem nenhum menosprezo, evidentemente, às pessoas com saber mais limitado, que também são dignas do mais elevado respeito e que também servem de exemplos éticos e morais. Mas, sem dúvidas: povo culto, desenvolvimento certo. E o domínio do idioma é pressuposto indispensável para a aquisição de cultura e de progresso.
SÉRGIO RAMOS – O idioma, na sua opinião, é o início de tudo? Professor IRONI ANDRADE – Sim, o domínio da Língua Portuguesa é o início de tudo. Se nós pensarmos em progresso cultural, abstraindo o idioma, seremos tolos. Justamente porque o idioma é a ferramenta a partir da qual se propaga a cultura dentro de qualquer país. E, se os conhecimentos em relação ao idioma fossem melhores, com menor esforço, haveria maior transmissão de conhecimentos, maior assimilação deles e, conseqüentemente, maior progresso.
SÉRGIO RAMOS – Ouço desde muito tempo que a Língua Portuguesa é complexa e o Senhor diz que ela é estruturada, é lógica, é matemática. Como é isso? Professor IRONI ANDRADE – Em primeiro lugar, eu quero isentar todos os meus colegas professores de qualquer responsabilidade em relação ao que eu vou dizer agora. Clareando, o professor ensina aquilo que sabe, e sabe aquilo que aprendeu. E ensina o que aprendeu, normalmente, como aprendeu. A verdade é que o sistema todo está equivocado. Até hoje se ensina a Língua Portuguesa fragmentadamente, como se a concordância não tivesse nada a ver com a regência. Como se a acentuação gráfica não tivesse nada a ver com a concordância. Como se tudo não tivesse nada a ver com a pontuação. Não, não! Temos que entender que existe, dentro do idioma, uma seqüência lógica, em que nós temos que entender um primeiro assunto como pressuposto para o entendimento de um segundo. E o segundo só será entendido com a aplicação do primeiro. E o primeiro e o segundo serão aplicados na compreensão do terceiro. O primeiro, o segundo e o terceiro, entendidos, serão os pressupostos para a compreensão do quarto, e assim por diante. Basta ver que o mínimo do mínimo, na compreensão de um idioma, são os fonemas, os sons. E, depois dos sons, vêm as letras, e maiores que as letras são as sílabas. E maiores que as sílabas são os vocábulos, depois as frases, depois os períodos, depois os parágrafos. E maior que os parágrafos, o texto, que é a culminância de tudo. E é justamente essa a seqüência lógica que precisa ser trilhada para a compreensão do idioma como algo matemático, lógico, exato. Eu acho muito interessante quando falo aos meus alunos, dizendo-lhes que não há uma exceção sequer dentro de todo o idioma e eles não acreditam. E consigo esgotar todo o conteúdo, de zero a cem, e provar que não existe, de fato, uma exceção sequer. Mas isso ocorre justamente porque o idioma é seqüencial, é lógico, é matemático, é exato. Para isso, basta distribuir os conteúdos numa seqüência lógica. Infelizmente, porém, não é assim que nosso idioma é ensinado!
SÉRGIO RAMOS – O Senhor costuma lembrar a expressão de um estadista que sentenciou: “Dêem-me a palavra por um minuto e mudarei o curso da História”. Qual o verdadeiro sentido disso e qual sua intenção com isso? Professor IRONI ANDRADE – A expressão “Dêem-me a palavra por um minuto e mudarei o curso da história” é uma figura para mostrar que o bom domínio do idioma pode operar, realmente, maravilhas. Exemplo de pessoas que, figurativamente, em um minuto mudaram o curso da história: Demóstenes, o gago Demóstenes, que dividiu a oratória antes e depois dele. Mas fique bem claro que, com a expressão “Dêem-me a palavra por um minuto e mudarei o curso da história”, já estamos passando da linguagem escrita à linguagem falada, à prática da oratória. Veja só, até Demóstenes, as pessoas falavam rapidamente. E quem falava mais rapidamente, acreditava-se, empolgava mais a platéia. Demóstenes, contudo, provou o contrário. Como ele era gago, só se comunicava bem falando pausadamente. E aí a humanidade foi ver que a fala pausada era mais convincente, era mais bonita, era mais atraente. Por quê? Porque quem fala pausadamente dá tempo a que o cérebro organize bem o pensamento. Quem fala pausadamente, e de forma bem relaxada, consegue manter um raciocínio mais retilíneo, sem muitas voltinhas. Machado de Assis já dizia: “Os detalhes aporcalham a comunicação humana”. Saindo do plano histórico de Demóstenes, por que não citar, nesse campo, e a despeito de todos os preconceitos, Adolf Hitler, que era capaz de, com meia dúzia de palavras, mobilizar um exército todo? Napoleão Bonaparte também era assim. Aliás, os grandes estadistas foram todos assim. Eram pessoas realmente maravilhosas, que maravilhavam multidões, pela prática persuasiva do idioma e pelo domínio, seguro também, das regras gramaticais. Mentes iluminadas, mentes claras, mentes transparentes, que conseguiram fazer do difícil o fácil. E esse haverá de ser sempre o grande objetivo de toda pessoa que fala.
SÉRGIO RAMOS – Creio que os nossos políticos empobrecem a Língua para se fazerem entender pela maioria dos eleitores. Qual a sua opinião sobre isso? Professor IRONI ANDRADE – Respeito tua opinião, mas me permito discordar dela. Eu acho que nós vivemos uma crise cultural muito grande, e a maioria de nossos representantes, sobretudo no campo político, empobrecem a Língua porque são mesmo pobres lingüisticamente falando. É a primeira observação. A segunda, eu entendo que a pessoa que agride o idioma, sob o pretexto de se fazer entender, é uma pessoa de pouca luz, é uma pessoa muito pobre intelectualmente. Eu, por exemplo, sou detentor - por obrigação, que isso não é nenhuma virtude - de um vocabulário muito amplo. Afinal, eu ensino Língua Portuguesa, ensino Redação, ensino Literatura, ensino Oratória há mais de trinta anos. Há pouco, acabou, aqui, a centésima décima nona turma de Oratória de minha vida. Eu elaboro provas para concursos já faz 20 anos. Eu tenho um vocabulário realmente muito amplo. Mas eu tenho a presença de espírito necessária para, dependendo do ambiente, dependendo do nível cultural das pessoas com quem me comunico, saber transformar o difícil em fácil. Eu diria assim: não é nenhum pouquinho louvável agredir o idioma para se fazer entender. Ao contrário, qualquer agressão ao símbolo pátrio por excelência, ao invés de ser louvável, é extremamente detestável. É falta de presença de espírito.
SÉRGIO RAMOS – Bem, tenho visto, e até concluído, que políticos de pouca bagagem cultural, que “falam a língua do povo”, têm vantagem competitiva nas eleições. Aliás, são até elogiados por causa disso. Tanto que, em debates, quando alguém fala com melhor qualidade lingüística é logo taxado de candidato da elite. Professor IRONI ANDRADE – Aí, convenhamos, estaríamos indo para um outro lado, o lado da demagogia. La Brunyère, pensador francês, dissera: “É uma calamidade não possuir bastante espírito para falar bem, nem bastante bom-senso para ficar em silêncio”. Ele queria, com isso, dizer que é possível falar bem, comunicar-se bem, com qualquer pessoa, tendo bastante espírito para articular bem o pensamento e fazer-se entender. Exemplos, muitos, como esse que acabas de dar, ilustram apenas outra faceta da nossa sociedade. A faceta da demagogia, da exploração, da submissão. E da submissão pela ignorância; há muita ignorância em quem age dessa forma, infelizmente. E a saída: cultura para o povo. Porque, quando o povo tiver cultura, esse tipo de político não sobreviverá. Assim como, quando o povo tiver cultura, com certeza os corruptos também desaparecerão. É aquela velha história: não há corrupto, sem o corruptor. Não estariam ignorantes no poder, se a população não fosse tão ignorante. Essas coisas são realmente lamentáveis e a demagogia precisa ser banida.
SÉRGIO RAMOS – O senhor tem uma técnica toda particular, exclusiva, para ensinar a Língua Portuguesa? Professor IRONI ANDRADE – Bem, de fato, eu desenvolvi, ao longo de mais de trinta anos de profissão, uma metodologia muito especial e exclusiva para o ensino do idioma pátrio. Eu não vivia muito satisfeito com a minha própria atuação em sala de aula, haja vista que me esforçava muito e os resultados, às vezes, eram muito pequenos. Diante disso, desenvolvi realmente uma metodologia, que é muito particular, é exclusivamente minha e, ao longo de mais de duas décadas, vem provando que é eficiente. É muito grande o número de alunos que fazem o curso de Português comigo e que, com um dia de aula por semana, ao longo de um semestre, conseguem gabaritar provas dos mais variados concurso. Como? Aprendendo a pensar o idioma. Aprendendo o idioma numa seqüência lógica, que é nisso que se fundamenta a minha metodologia. Essa é a metodologia, aliás, que eu tentei, em mais de uma oportunidade, dar de presente ao governo brasileiro, por amor a pátria. Mas o nosso governo reluta em aceitar. Porque todo o ensino do idioma teria de passar por uma reciclagem. E aí, infelizmente, a lei do menor esforço acaba prevalecendo. Os interesses políticos, o desinteresse de se indispor com a classe dos professores, sempre vai falando mais alto. Mas chegará o dia em que a população se dará conta de que, diariamente, milhões de crianças saem de casa e vão às escolas aprender um montão de coisas erradas. Se nós pegarmos os livros de Português e passarmos a examiná-los detidamente, nós veremos que setenta por cento são erros graves, erros primários, que são, diariamente, passados à frente. Repito: sem culpa dos professores. Nessa questão, os professores são vítimas. Porque o professor ensina o que aprende. E ensina como aprende. Essa metodologia, hoje, está sendo estudada, com grande interesse, pelo governo português. Quiçá os portugueses demonstrem realmente interesse, apliquem essa metodologia maravilhosa lá, com resultados espetaculares, e, um dia, aí sim, o Brasil resolva simplesmente imitar ou, quem sabe, comprar do governo português para poder implantar aqui.
SÉRGIO RAMOS – Ou, então, uma recolonização (brincando)... Professor IRONI ANDRADE – É, a recolonização talvez fosse uma saída para quem, colonizado há tanto tempo, ainda não acordou.
SÉRGIO RAMOS – E a nossa tão sonhada equivalência a países de primeiro mundo é possível, com toda essa falta de investimento em educação? Professor IRONI ANDRADE – É uma coisa muito complicada. Em primeiro lugar, existe um comodismo muito grande. Deixar as coisas como estão é mais cômodo. Segundo: há o interesse político, evidentemente, em cima disso tudo. Que povo inculto, normalmente, dá mais votos. Terceiro: só quem tem alguma base cultural consegue dimensionar verdadeiramente o real valor da cultura. E, depois, há a questão da demagogia. Mas que bom se, daqui a quarenta e dois ou quarenta e três anos, os nossos filhos, os nossos netos estiverem experimentando um nível de vida estável, com a tranqüilidade dos europeus, por exemplo! Agora, para que isso aconteça, com certeza, terá que haver uma revolução. Revolução sem armas. Uma revolução interior. Os brasileiros todos se voltando para o próprio interior e descobrindo que, sem cultura, não se vai a lugar nenhum, ou, ao menos, se consegue ir a poucos lugares e obter poucas vitórias.
SÉRGIO RAMOS – Realmente estamos fadados ao fracasso. Além da questão do baixo nível da educação, ainda temos as novelas, as músicas, de uma pobreza inquestionável. E nossos filhos estão convivendo com isso. A base cultural que deveria ser formada em casa e na escola não dá suporte para que eles possam reagir a essa onda de letras pejorativas e vazias. E acabam assimilando isso rapidamente, dada a carga que sofrem através da mídia. Por isso creio que, realmente, a nossa situação é complicadíssima, não é? Professor IRONI ANDRADE – É o contexto todo. É uma espécie de avalancha que vai arrastando tudo e todos que estão no caminho. O contexto todo está bastante problematizado. Esse pretexto de que tem que ser assim porque o povo é assim, é absurdo, é inaceitável, é incompreensível. Porque, se nós pensarmos dessa forma, teremos que admitir que o povo vai ser sempre assim. Ao contrário, é mais ou menos como um conceito que tenho de democracia: não há nada mais nobre que a democracia, quando ela funciona. Eu sou democrático, extremamente democrático. Agora, quando as coisas não andam democraticamente, eu pisoteio a democracia. Então me parece assim: enquanto nós tivermos esse tipo de conteúdo musical, como tu falaste, enquanto nós tivermos essa pregação política, enquanto nós tivermos esse nível de telenovelas, e outros programas que estão por aí, nós vamos permitir, possibilitar que o público continue na mesma. Agora, se o nível começar a se elevar, ocorrerá algo melhor. Como se diz lá no Sul: “As melancias se ajeitam com o andar da carroça”. Quando as pessoas de mente mais abertas, de mentes mais iluminadas pela cultura, começarem a exigir mais, a reação, com certeza, será maior. Do contrário, cairemos no comodismo, no conformismo, e tudo, realmente, ficará como está.
SÉRGIO RAMOS– O senhor falou da música e da política. E o discurso religioso, atualmente, não está um pouco deturpado, dentro dessa linha em que estamos conversando? Professor IRONI ANDRADE – A questão religiosa eu classifico assim: infelizmente, a maior das religiões do universo, a religião católica, na minha maneira de ver, é muito conservadora. Nela, há dois aspectos, de certa forma, paradoxais. O primeiro: é uma pregação que está muito acima da compreensão dos fiéis. É uma pregação que não toca o seguidor naquilo de que ele mais precisa, justamente porque ele não consegue compreender a pregação que é feita. O segundo: o tipo de comunicação que é praticado está totalmente ultrapassado. Pois, se prestarmos bem atenção, o discurso que nós ouvíamos na igreja, quando éramos pequenos, nós ainda estamos ouvindo hoje, em algumas religiões. E, aí, o que acontece é a prova de que isso é um equívoco. As ditas religiões menores, ou igrejas menores, que estão surgindo a cada dia, e cada vez em maior número, estão se agigantando, se agigantando. E, para uma religião se agigantar, outra terá que se acanhar. As conservadoras estão perdendo fiéis em favor das novas, que estão entrando com outro discurso, com uma outra forma de comunicação. Falei há pouco que encerrei, aqui, o centésimo décimo nono curso de Oratória de minha vida. Eu já dei muitos cursos de Oratória para muitas igrejas. Nenhum, todavia, para igrejas mais tradicionais. Justamente aquelas do discurso mais pesado, do discurso mais distante dos anseios de quem precisa, de quem busca o conforto e, para a cabeça pequena de algumas pessoas, a própria salvação.
SÉRGIO RAMOS – Nessa linha, as igrejas tiveram que popularizar o discurso, assim como os políticos, usando uma linguagem pobre porque o povo seria inculto? Professor IRONI ANDRADE – Não, necessariamente. Tenho observado, e a observação me credencia a afirmar, que a mensagem que está sendo repassada é a mesma. A forma de as igrejas, ou religiões, repassarem a mensagem é que é diferente. Não é necessariamente agredindo o idioma, usando o vocabulário das pessoas menos cultas que se atingirá uma fatia maior da população. Se a camada menos culta está aderindo a essas igrejas não é, necessariamente, pelo fato de que o nível de comunicação baixou. Não. Inteligentemente, essas igrejas mais novas estão transmitindo as mesmas idéias, as mesmas mensagens, as mesmas (in)verdades, porém num discurso acessível aos indivíduos menos cultos. Eu, como um princípio de vida, preocupo-me, preocupo-me e preocupo-me em não falar difícil. Agora, por exemplo, estou curioso para ouvir toda esta entrevista a fim de ver se, em algum momento, usei palavras de difícil compreensão. É possível vender uma imagem boa, é possível repassar uma mensagem fantasticamente construtiva, tudo num linguajar simples, e que toca mais profundamente do que alguns discursos tradicionais, repassados e repassados ao longo dos séculos, e que não atingem a alma do ser humano.
SÉRGIO RAMOS – Professor, o que o leitor pode encontrar, produzido pelo Senhor, para ler, sobretudo sobre a importância do idioma para uma nação e para o indivíduo e, principalmente, sobre o seu método de ensinar Português corretamente? Professor IRONI ANDRADE – Conforme falei anteriormente, eu criei uma metodologia própria de ensino, muito diferente do que essa que está por aí à venda, muito distante do que essa que está por aí à venda. Ela vem acompanhada por uma produção muito grande, volume muito grande de material didático. Mas material que não será posto à venda enquanto a metodologia não se tornar conhecida. Porque, infelizmente, esse problema cultural de que nós falamos leva as pessoas a resistirem ao novo, a enxovalharem o novo, a destruírem o que é novo. Entendo que seria realmente uma temeridade, para não dizer irresponsabilidade, lançar no mercado obras tão avançadas para a realidade que ora vivenciamos. Tenho, de forma muito carinhosamente especial, um dicionário arquivado, à espera de publicação. Tenho uma gramática com todo o conteúdo da Língua Portuguesa, tenho o mesmo trabalho subdividido em partes, mas em partes interligadas entre si, tenho material reunido para alguns livros de Português. Tenho muito material arquivado na área da poesia, que tenho muita facilidade para a poesia... Enfim, há muita coisa a caminho; porém, pouquíssimo, ou quase nada ainda, nas prateleiras de livrarias.
SÉRGIO RAMOS – Qual a mensagem que o Senhor deixa aos leitores que, como a maioria dos brasileiros, sofrem para aprender Português? Professor IRONI ANDRADE – Com certeza, minha mensagem é de fé no futuro, minha mensagem é de crença em dias melhores. Eu creio sinceramente que essa miopia que ora cega as pessoas responsáveis pelos destinos da educação brasileira tenha cura. Eu acredito, sim, que o ensino da Língua Portuguesa virá a ser como sempre deveria de ter sido: agradável, fácil, seqüencial, envolvente, matemático, lógico, exato... Patriótico. Nada está perdido!
SÉRGIO RAMOS – A seus colegas, professores, o que o Senhor tem a dizer? Professor IRONI ANDRADE – Perseverem. Sejam criativos. Diminuam, ao menos, o fardo que nossos alunos, hoje, ainda têm que carregar nos ombros. Filosofem e, filosofando, descubram a seqüência lógica do idioma. Afinal, se as mudanças são necessárias, mas não são sugeridas, nós temos de ter a necessária responsabilidade para descobri-las. Tornem suas aulas leves, agradáveis, produtivas. É muito fácil dar boas aulas de Português. Envolvam seus alunos, despertando neles o gosto pela leitura, o gosto pelo estudo gramatical, o gosto pela produção de textos. Compensem, com criatividade, esforço, coragem e amor ao trabalho, esse preconceito, errôneo e inaceitável, que existe contra o símbolo pátrio por excelência.
SÉRGIO RAMOS – O Senhor se disporia a uma cruzada nacional em defesa do idioma, divulgando sua metodologia, facilitando a vida dos estudantes e auxiliando seus colegas? Professor IRONI ANDRADE – Com absoluta certeza. Nada me satisfaria mais do que tornar o ensino da Língua Portuguesa, para os outros, tão agradável quanto o é para mim. Juro que chego a sonhar com isso. Como seria bom saber que a população toda estaria estudando o idioma principalmente pelo prazer que existe no seu estudo. Como seria bom saber que todos os meus colegas estariam sendo mais felizes no trabalho, ensinando as mesmas coisas, mas de forma correta, envolvente, agradável. Como seria bom saber que o desempenho em Língua Portuguesa estaria sendo cada vez melhor, mais correto, mais elevado. Talvez não exista, no meu íntimo, nada que eu esteja querendo mais do que tornar o idioma mais conhecido e seu ensino mais lógico, mais exato, mais seqüencial, mais agradável, mais fácil. Autoridades educacionais, professores e estudantes, contem comigo!
SERGIO RAMOS – Obrigado Professor.
Para falar com o Professor IRONI ANDRADE: Fone: 054-9175-6552 E-mail: ironi@ginet.com.br
10 – Poeta, compositor, músico e cantor Binho e o guitarrista Ronald, em show do Eliakin Araújo, poeta, compositor, músico e canto de Roraima, realizado no Teatro 1 do SESC Esplanada (Foto: Sérgio Ramos em Porto Velho/Rondônia, 06/11/2009).
Ernesto Melo e sua troupe fazendo o samba de resistência.
O projeto cultural Ernesto Melo e a Fina Flor do Samba ficou entregue às moscas na sua última apresentação, sexta-feira passada, dia 24, no Mercado Cultural, no centro histórico de Porto Velho. Com uma perda de público estimada em pelo menos 65%, o grupo de músicos do maior e mais bem sucedido projeto cultural da capital amargou o constrangimento de se apresentar sem holofotes de iluminação artística, sem mesa, sem cadeira e sem a presença da maioria dos fiéis freqüentadores que prestigiam semanalmente o espetáculo musical. Mesmo assim, os sambistas assumiram a postura de combatentes da arte e tocaram para o mirrado e boquiaberto público como se estivessem numa verdadeira trincheira da resistência cultural. O projeto nasceu há quase dois anos na calçada do Bar do Zizi e tem por líder o cantor e compositor Ernesto Melo, conhecido como “o Poeta da Cidade” por suas composições descritivas e citativas de pessoas e lugares deste município. As apresentações acontecem toda sexta-feira e têm atraído, mensalmente, cerca de três mil e duzentas pessoas, inclusive muitos turistas em passagem pela capital do Estado de Rondônia. Antes da crise que desaguou no abandono dos projetos culturais, com refinado repertório da Final Flor do Samba, o Mercado Cultural vinha funcionando como uma espécie de Bairro da Lapa dos portovelhenses. Outros dois projetos culturais estão ameaçados pela crise administrativa: a Seresta Cultural, que acontece toda quinta-feira, e a Roda de Samba de Beto César, aos sábados, onde se apresentam bambas do naipe de Bubu e Norman Jonhson, dentre outros.
A falta de estrutura que deixou os sambistas da Fina Flor do Samba às escuras e entregues à própria sorte deve-se à ação fiscalizatória realizada dias antes pela Semusb e à blitz imposta pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Turismo que apreendeu jogos de mesa e cadeira, freezer, instrumentos de percussão e uma bateria completa, utilizada para acompanhamento dos músicos que participam da Seresta Cultural às quintas-feiras. Segundo Miriam Saldanha, titular da secretaria que fez a apreensão dos materiais, os permissionários vinham praticando diversas irregularidades dentro do Mercado Cultural, transformando os camarins e outros ambientes disponíveis em verdadeiros depósitos particulares de apetrechos utilitários. Ainda segundo Miriam, antes do arresto dos bens e da notificação dos permissionários, a Secretaria de Desenvolvimento Social promoveu uma reunião com os micro-empresários e os orientou e alertou para as diversas irregularidades praticadas por eles dentro do Mercado Cultural.
O fato é que vários órgãos da administração municipal atuaram conjuntamente no âmbito do Mercado Cultural para criar essa dramática situação para o setor cultural: a Secretaria Municipal de Serviços Básicos notificou os permissionários, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Turismo promoveu a blitz e o arrastão de bens utilitários, enquanto a Fundação Cultural Iaripuna tem a incumbência fomentar e apoiar os eventos e projetos artísticos do Mercado Cultural. Numa espécie de guerra PT verso PT, essas agências vem tomando posturas administrativas unilaterais que parece não primar apenas pela observação da lei, mas visam principalmente desencadear uma batalha política nos bastidores da disputa por cargos e posições, deixando os permissionários, com ou sem práticas irregulares, à mercê da guerra pelo poder. Segundo informou Heitor Almeida, funcionário da prefeitura e coordenador do projeto Quinta da Seresta, a vice-presidente da Fundação Cultural Iaripuna, Berenice Simão, tem declarado em reuniões de trabalho da instituição que os projetos Fina Flor do Samba e Seresta Cultural precisam ser extintos da agenda do Mercado Cultural para dar lugar a outros projetos artísticos. Convidado pelo jornalista Lúcio Albuquerque e outros promotores culturais para dar explicações sobre os fatos que desastrosamente vêm prejudicando os melhores projetos culturais da cidade, Altair dos Santos, o popular Tatá, presidente da Fundação Cultural, ainda não se manifestou. Tatá, numa demonstração de que há atrito entre as diversas agências da administração petista, e talvez até a fritura do seu cargo por correligionário seus, pagou do próprio bolso a quantia de 270 reais, referente à multa imposta pelo Departamento de Postura para liberar uma bateria e instrumentos de percussão apreendidos durante o arrastão do aparelho repressivo municipal.
Enquanto isso, Alcimar Francisco Casal, o Zizi, pede a intervenção do prefeito Roberto Sobrinho e diz que as exigências impostas pela administração municipal aos permissionários transformarão o Mercado Cultural num espaço morto. Veja na íntegra o manifesto.
MANIFESTO DO BAR DO ZIZI AO PREFEITO ROBERTO SOBRINHO
Senhor Prefeito,
Construímos uma história de muita luta em Porto Velho. Sempre ordeiramente e pagando nossos impostos em dia. O senhor sabe disso.
Através de nosso esforço, evitamos que a especulação imobiliária transformasse o que restou do Mercado Municipal em mais um prédio comercial, fato este que impediria a construção, na sua gestão, do atual Mercado Cultural, local onde se desenvolvem as maiores manifestações artísticas e culturais de nossa cidade. Na nova concepção do Mercado Cultural, não foi previsto espaço para que guardássemos nossos estoques, geleiras, além das mesas e cadeiras com as quais recebemos as pessoas que assistem aos espetáculos apresentados.
Como alternativa, passamos a utilizar a sala junto ao banheiro masculino que originalmente, segundo informações da Semdestur, seriam utilizadas como camarins. Estas salas não possuem condições para tal, tendo em vista que não dispõem de nenhum móvel, sejam cadeiras, mesas, araras, espelhos ou qualquer refrigeração. Nestes locais, estamos guardando apenas as mesas e cadeiras de nossa propriedade, que são poucas. A grande maioria são alugadas e recolhidas no dia seguinte aos dias de cada evento. Acontece, senhor Prefeito, que recebemos uma notificação da Semusb, dando-nos prazo de 08 dias, que vence dia 21/06, no sentido de que não mais poderíamos utilizar estas salas para guardar nossos pertences. Além disso, todas as mesas e cadeiras utilizadas nos eventos deverão ser retiradas do mercado, no final do espetáculo e que também não poderemos mais utilizar geleiras ou empilhar bebidas ou outras mercadorias fora dos limites do balcão. Como deveremos proceder, então?
Quem faz a locação de mesas e cadeiras não as recolhe pela madrugada. Sem as geleiras não poderemos mais vender bebidas em quantidade suficiente para atender aos expectadores.
Sem mesas e cadeiras, não haverão mais as apresentações, a maioria das quais criadas e apresentadas pela Prefeitura através da Fundação Yaripuna e também as de iniciativa privada, que sempre contaram com nosso total apoio, inclusive com pagamento de cachês aos músicos. Nestes dias, temos que montar uma estrutura física e humana extra para bem receber os freqüentadores do local. Assim, permanecendo estas exigências, o espaço criado pela prefeitura, onde famílias e pessoas de todas as partes do Brasil convivem harmoniosamente e no qual seu nome tem sido lembrado a cada show e levado para a todo o Brasil pelas tevês Record e Comunitária, se transformará em um espaço morto e se constituirá em motivo de reclamações e má propaganda de sua administração.
Caso não haja um reposicionamento dos órgãos competentes, permitindo que possamos continuar a usar a sala antes mencionada, não teremos a mínima condição de prestar um serviço de qualidade para tantas pessoas.
Pelo exposto, solicitamos sua intervenção junto à Semusb e Semdestur, no sentido de voltarem atrás desta decisão, pela qual o Bar do Zizi, Café com Arte, músicos em geral e freqüentadores do local ficarão muito agradecidos.
De 3 a 14 de maio o Sesc Rondônia realiza a 8ª Mostra Sesc Rondônia de Música que este ano terá como tema "Timbres e Batuques". Na programação já estão confirmadas as participações de grandes nomes da música brasileira, como Nana Vasconcelos (PE), eleito por oito vezes como melhor percussionista pela revista americana Down Beat.
Oficinas A mostra disponibiliza ainda, aos músicos e interessados em aprimorar seus conhecimentos musicais, oficinas e workshops. Para participar é necessário a doação de dois litros de leite (para cada oficina) no ato da inscrição. Confira quais oficinas, workshops e respectivos ministrantes na programação abaixo.
Cinema A Mostra alia a música aos audiovisuais e o Cine Sesc apresentará durante o período relacionados ao tema. São eles:
09/05 (segunda-feira) - Sonoridades Inovadoras (2 médias metragens brasileiros) Horário: 19h - Local: Cine Sesc - Sesc Esplanada Sinopse: Programa histórico-musical que reúne documentários sobre dois músicos que nasceram em 1936 e que têm em comum a integração de sonoridades de objetos não convencionais em suas criações
10/05 (terça-feira) - Música de Invenção (6 curtas metragens brasileiros) Horário: 19h - Local: Cine Sesc - Sesc Esplanada Sinopse: Não é novidade afirmar que a música popular é a expressão maximado vertiginoso mix de culturas que é o Brasil. No entanto, nem sempre tempos um exemplo claro do sentido dessa afirmação. Esta compilação de seis curtas-metragens mostra um pouco da inventividade que a música brasileira é capaz.
11/05 (quarta-feira) - Samba e Bossa Nova: Música do Brasil (6 curtas metragens brasileiros) Horário: 19h - Local: Cine Sesc - Sesc Esplanada Sinopse: Quem faz a música popular brasileira? São poetas, malandros, guerreiros, amantes, palhaços e colombinas. Saem dos cortiços, morros e arranha-céus, chegam de jangada nas praias, comem mocotó e feijoada, desembarcam no aeroporto de Paris. Os sete documentários reunidos nesta compilação mostram o dia-adia, as apresentações, gravações e entrevistas em deliciosos registros dessa grande paixão brasileira.
20 e 27/05 (sextas-feiras) - Nome Próprio (Longa de Murilo Salles, 2008, ficção, 130 min) Horário: 20h - Indicação: 14 anos - Local: Cine Sesc - Sesc Esplanada Sinopse: Nome Próprio conta a história de uma mulher que dedica a vida à sua paixão, escrever. A jovem Camila Lopes é intensa, complexa e corajosa. Ela constrói sua trajetória de vida na escrita, afirmando toda sua singularidade. Sua vida é sua narrativa e construí-la de forma digna é o que move sua busca por redenção. Camila abraça a literatura como ato de revelação pessoal e para tal, cria vínculos
21 e 28/05 (sábados) - Curta Criança 2 (4 curtas metragens brasileiros, ficções) Horário: 17h Sinopse: Resultado do Edital Curta Criança, promovido pelo Ministério da Cultura para estimular a produção de curtasmetragens infantis, os filmes deste programa confirmam a qualidade e a diversidade do cinema destinado às crianças atualmente.
Convidados Especiais O percussionista Naná Vasconcelos de Pernambuco é um dos convidados a participar deste grande evento cultural. Naná é um músico mundialmente reconhecido, já foi eleito oito vezes como melhor percussionista pela revista americana Down Beat, ministra um workshop orgânico para um público diversificado. Segundo suas próprias palavras: “é o entendimento dos ritmos através do corpo”. Mais que isso, o workshop oferece infinitas possibilidades, desde despertar a criatividade. Com ele teremos também a apresentação especial de Marcos Farias(DF) Pianista, sanfoneiro, produtor e arranjador, Adelbert Carneiro (PA) contrabaixista e Trio Manari (PA).
Entrada: 2 litros de leite (para cada atração)
PROGRAMAÇÃO MOSTRA DE MÚSICA – ANO VIII TODOS OS SONS DA GENTE TEMA “ TIMBRES E BATUQUES ”
03/05 – Terça-feira Lançamento virtual do CD Mostra Sesc de Música – VII edição Horário: 9h Local: Blog do Sesc
Musical “Ianubá” com o baixista Adelbert Carneiro e o Trio Manari (PA) Horário: 20h30 Local: teatro 1 do Sesc Esplanada:
04/05 – Quarta-feira Oficina de contrabaixo com o baixista Adelbert Carneiro (PA) Local: Escola de Música Sol Maior - Horários: 9h às 11h30 e 15h às 17h30
Oficina de percussão com o Trio Manari (PA) Local: Audicine Sesc Esplanada Horários: 9h às 11h30 e 15h às 17h30
Recital da Escola de Música Sol Maior Local: Teatro 1 Sesc Esplanada Horário: 20h
05/05 – Quinta-feira Apresentações musicais: Ernesto Melo e a Fina Flor do Samba Trio do norte, Wilka Sol Sol, e Madrigal Local: Teatro 1 do Sesc Esplanada Horário: A partir das 20h30
06/05 – Sexta-feira Apresentações musicais: Cristiano Souza (Porto Velho), Quarteto Pianístico (Ji-Paraná), Duo Márcia Lima e Gustavo Pereira (Porto Velho), Sílvia Freire e Rosemary (Porto Velho) Local: Teatro 1 – Sesc Esplanada Horário: 20h30
07/05 – Sábado Show “O Sassarico Delas” Local: Porto Velho Shopping Horário: 17h
10/05 – Terça-feira Palestra: “Aperfeiçoamento vocal direcionado ao canto” Ministrante: Profª Raquel Lyrio (Porto Velho) Local: Escola de Música Jorge Andrade Horário: 14h às 17h
Lançamento do CD Mostra 2010 Local: Área de convivência do Sesc Esplanada Horário: 19h30
11/05 – Quarta-feira Oficina de percussão: workshop orgânico com Nana Vasconcelos (PE) Local: Teatro 1 do Sesc Esplanada Horário: 15h às 17h
12/05 – Quinta-feira Apresentação musical especial “O bater do coração” com Nana Vasconcelos (PE) Local: Teatro Banzeiros Horário: 20h30
13/05 – Sexta-feira Oficina de acordeon Ministrante: Marcos Farias (DF) Local: Escola de Música Jorge Andrade Horário: 14h30 as 17h30
Apresentações Musicais: TJ (Porto Velho), Júnior Fonseca (Porto Velho), Sílvio José (Porto Velho), Rud e os cabras (Porto Velho) Local: Teatro 1 – Sesc Esplanada Horário: 20h30
14/05 – Sábado Apresentação musical especial de encerramento com Nilson Lima (DF) e o acordeonista Marcos Farias (DF) Local: Mercado Cultural Horário: 19h30
Quem vai ao shopping da nossa Capital pode estar distraído ou atento demais às novidades das vitrines para perceber o que se anuncia lá fora. Com sacolas e estômagos cheios passamos pela multidão de jovens que se aglomera por ali. Não olhamos para os rostos banhados pela luz do chafariz . Não ouvimos o que se pronuncia no burburinho. A caminho de casa comentamos sobre o filme em 3D, ou sobre as peripécias de Bruna. Ah, Bruna Surfistinha!... Nada fora da rotina. Mas há algo acontecendo bem ali, no nariz do nosso templo de consumo. Grupos, galeras de jovens de todos os cantos da cidade, estão indo para lá. Até aí nada demais. Nada mais natural do que a moçada se reunir, conviver. Mas para alguns desses grupos o conceito da boa convivência não existe. Pouca graça tem a o último filme em 3D, ou a sensualidade da atriz Deborah Secco. A excitação está na hostilidade que se cultiva lá fora. Lá, gangues juvenis encontram aquilo que mais buscam: uma vitrine. Grupos de 20, 50 ou mais pessoas se insultam mutuamente. Ou pior: escolhem alguém para vítima. Como a maioria é menor, isso inibe uma atuação maior por parte dos agentes de segurança do shopping, que observam tudo a distância. Quando observam. Ali se empurram, cospem uns nos outros, se agridem. Dessa galera alguns se desgarram e vão lá para dentro do shopping. Comprar briga, claro. Em espaços comuns como o salão de espera das salas de cinema, praça de alimentação e corredores, a graça está em humilhar, ameaçar outros jovens. Chamar para uma “briga” lá fora. Briga entre aspas porque vale brigar 10 contra 1, 20 contra 1. Quem não reparou, repare. Vá ao shopping e olhe, observe. Nos finais de semana e nos dias em que o ingresso de cinema é mais barato, a coisa ferve. Já vimos até onde isso chega. Jovens espancados até a morte. Ou um jovem vegetando em cima de uma cama, amparado por uma mãe em desespero: o filho que levou uma surra de uma dúzia de arruaceiros com os hormônios à flor da pele e nenhuma base familiar. Isso não é ficção, não é cinema. É a realidade de todos os dias. No entanto, parece que é da cultura brasileira, não apenas deixar para última hora, deixamos passar da hora. Somos passivos. Nunca proativos. Podíamos evitar o crime, mas preferimos lamentá-lo. Parece que necessitamos alimentar o jornal de notícias ruins. As galeras estão no Shopping. Deveríamos aproveitar que estão fazendo daquele lugar uma vitrine para a fúria juvenil e dando visibilidade ao problema das gangues, para fazermos alguma coisa. Que tal pensar em resolver esse problema? Qual é a estratégia da segurança pública e da própria sociedade para desestimular isso? Seja no shopping, nas periferias, nas escolas? Voltemos ao chafariz. O policiamento não aparece por lá. A segurança do Shopping se aparece, pouco comparece. Há relatos de armas de fogo, de armas brancas. Mas a pior arma é o culto à covardia. Não é incomum por esse Brasil afora, que um grupo massacre uma pessoa. Como bárbaros, os agressores riem ao chutar o corpo inerte. Isso ainda não ocorreu no Shopping. Muitas brigas, nenhuma morte. Mas vemos isso na TV todos os dias. Estamos esperando o quê para tomar uma atitude. Peço ao jornalismo local para verificar essa pauta. Convido as autoridades competentes a pensar sobre o problema das gangues. Quem sabe evitamos que famílias paguem um preço muito alto pela indiferença ou negligência de uns e pela barbárie de outros.
O Instituto Millenium realizou ontem o “2º Fórum Democracia e Liberdade”, no auditório da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo. Roberto Civita, presidente do Conselho de Administração do grupo Abril, que edita a VEJA, e conselheiro do instituto, fez o discurso de abertura, que reproduzo abaixo. Segundo Civita, “a livre manifestação do pensamento e seu corolário, a liberdade de imprensa, não constituem um fim em si mesmo, mas um meio imprescindível para garantir a sobrevivência de uma sociedade livre e democrática.”
Disse ainda:
“O mais perfeito dos sistemas, que garantisse ao homem a plena satisfação de suas necessidades físicas, seria uma monstruosidade se lhe cassasse a palavra. É com ela que relatamos o mundo que nos cerca, que expressamos os nossos anseios, que articulamos as nossas divergências. Se me permitem um simbolismo que resume a importância da liberdade de expressão, lembro que, com a palavra, pode-se reivindicar o pão, mas o pão, por si, não garante o exercício da palavra; se manipulado por populistas, pode até contribuir para tolhê-la.”
Civita saudou “a revolução tecnológica que permite hoje, a cada indivíduo, ser um produtor de conteúdo, propagando, mundo afora, a sua palavra” e fez o que chamou de “necessária distinção” entre “a saudável horizontalização da informação e a imprensa, que é “estruturada de outra forma” e que “cumpre outra função”. Para ele, “o jornalismo nasce no mesmo ventre da liberdade que garante os direitos individuais, mas tem um domínio próprio, que não é sinônimo do mero exercício da opinião.” Leia a íntegra do discurso.
Autoridades presentes,
Senhoras e Senhores, meus amigos,
Bom dia e bem-vindos! Em nome dos meus colegas do Instituto Millenium, agradeço a presença de todos nesse “2º Fórum Democracia e Liberdade”, tão oportunamente realizado neste 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.
O Instituto Millenium foi constituído há cerca de cinco anos com a missão de promover a democracia, a economia de mercado, o estado de direito e a liberdade. Desde então, vem se dedicando a debater e ampliar a discussão sobre a fundamental importância desses valores para o Brasil de hoje e para o País que queremos ser.
Vivemos em uma nação em que a democracia está consolidada e as instituições que a garantem estão cada vez mais sólidas. Com enorme satisfação, presenciamos, nas últimas décadas, uma notável evolução da consciência da população com relação aos seus direitos e deveres enquanto cidadãos.
A liberdade de expressão - garantida pela Constituição Brasileira de 1988 - teve e tem um papel fundamental nesse processo. A livre manifestação do pensamento e seu corolário, a liberdade de imprensa, não constituem um fim em si mesmo, mas sim um meio imprescindível para garantir a sobrevivência de uma sociedade livre e democrática. E, por isso mesmo, faz-se necessário, mais do que nunca, proteger este que é um fundamento da civilização democrática, que defendemos e que queremos aprimorar. O mais perfeito dos sistemas, que garantisse ao homem a plena satisfação de suas necessidades físicas, seria uma monstruosidade se lhe cassasse a palavra. É com ela que relatamos o mundo que nos cerca, que expressamos os nossos anseios, que articulamos as nossas divergências. Se me permitem um simbolismo que resume a importância da liberdade de expressão, lembro que, com a palavra, pode-se reivindicar o pão, mas o pão, por si, não garante o exercício da palavra; se manipulado por populistas, pode até contribuir para tolhê-la.
Saúdo, meus amigos, a revolução tecnológica que permite hoje, a cada indivíduo, ser um produtor de conteúdo - é assim ao menos nas sociedades livres -, propagando, mundo afora, a sua palavra. Festejamos as virtudes da Internet, que potencializa, de modo formidável, a liberdade de expressão. Notem que coisa fantástica: ao mesmo tempo em que o homem contemporâneo pode exercitar livremente o seu pensamento, na solidão benigna de sua casa, ele está conectado a uma rede que o faz cidadão do mundo. Não é por acaso que as tiranias ainda existentes buscam, com tanta determinação, censurar o espaço em que navegam os internautas. Estou convicto de que os tiranos perderão essa guerra.
Cumpre, no entanto, fazer a necessária distinção entre essa saudável horizontalização da informação, destinada a integrar todos os habitantes do mundo global, e a imprensa, que é estruturada de outra forma e cumpre outra função. O jornalismo nasce no mesmo ventre da liberdade que garante os direitos individuais, mas tem um domínio próprio, que não é sinônimo do mero exercício da opinião. Devemos ficar muito atentos a este particular: a imprensa deve ser protegida de qualquer arroubo controlador do estado, mas ela também deve ser limitada por um imperativo ético: o compromisso obsessivo com a verdade e a objetividade.
Mais do que nunca, precisamos do que ouso chamar aqui de “informação com curadoria”, que envolve isenção, a verificação obrigatória dos fatos levantados e a sua colocação no devido contexto. Isso permanecerá porque é também uma conquista e uma necessidade da nossa civilização. A imprensa não vai morrer. Ela está mudando para que possa se conservar como um bem essencial das sociedades democráticas.
Minha preocupação, nestes dias, não está ligada à sobrevivência da imprensa. O que tenho me perguntado, e também lhes pergunto, é por que, a despeito de nosso estrito trabalho de vigilância da coisa pública; de denúncia do malfeito e de elogio da boa governança; de defesa dos fundamentos do estado de direito e de crítica às ameaças de autoritarismo estatal; de zelo pelo dinheiro público e de explicitação dos desastres de gestão, o que me pergunto e lhes pergunto, em suma, é por que remanescem (e até florescem), nos governos e nos Poderes da República, práticas lesivas aos interesses coletivos, que, no conjunto, retardam o desenvolvimento e até ameaçam os pilares do estado de direito, que sustentam o edifício democrático.
Por que isso? Por que demoramos tanto para acabar com a impunidade? Por que não nos indignamos mais? O que fazer para acelerar a implementação da boa gestão da coisa pública e o processo de institucionalização da nossa democracia?
Espero que os cinco painéis programados para este fórum e o elenco de ilustres debatedores de hoje contribuam para iluminar tanto essas questões quanto a uma série de outras tão importantes como a defesa dos direitos humanos, o correto papel do capitalismo de estado, a “accountability” jornalística e o modelo do país que queremos.
E isso, por sua vez, só pode contribuir para o fortalecimento do estado democrático, o aumento e aperfeiçoamento das nossas liberdades e melhoria da sociedade brasileira como um todo.
Os amantes da boa literatura de Rondônia, não podem deixar de prestigiar na noite de hoje as 20h00, na Casa da Cultura Ivan Marrocos o lançamento do livro “Diaruí” - um romance histórico brasileiro escrito pelo poeta, historiador e romancista Antônio Cândido da Silva e publicado pela editora Schoba. O livro é baseado na “Saga dos índios Karipunas”, que começa no final do século XIX quando saíram da bacia do rio Tapajós em direção ao oeste, para habitar a bacia do rio Jaci Paraná e nos leva ao contato desse povo com o homem branco no final do século XIX, que fizera com que eles se deslocassem no início do Século seguinte, para as cabeceiras do rio Mutum Paraná. Desses contatos, o mais importante foi quando da construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré que trouxe no seu rastro, de maneira definitiva, a acelerada exploração dos seringais e a decadência desse povo, uma vez que o trajeto da construção atravessava, principalmente, os domínios das tribos Karipunas. Foi nesse cenário que aconteceu a história de Diaruí, encontrado pelos engenheiros da construção da ferrovia, com a perna direita necrosada, abandonado no “caminho do progresso”. Assim está escrito na orelha do livro de Antônio Cândido.
O autor Antônio Cândido da Silva nasceu em Humaitá (AM), em 1941. Historiador, romancista e poeta, publicou os livros Marcas do Tempo, O Vagão dos Esquecidos, Enganos da Nossa História e escreveu mais oito livros ainda inéditos. É formado em letras pela Universidade Federal de Rondônia-Unir.
Para começo de conversa, não valeria um centavo dar credibilidade ao tal Rafinha Bastos. Ou seria o Dr. Inconsequência? A beleza que ele procura não existe nem mesmo em sua personalidade. Coisa pequena. Medíocre. O seu DVD a Arte do Insulto já diz tudo que precisamos entender. Para o “New York Times”, este donkey é o mais influente no twiter. Este tal stand-up já era apresentado por Chico Anisio antes do pai deste camarada nascer. O Chico completa este mês oitenta anos. E pelo que sabemos nunca diminuiu o terreiro deste imenso Brasil. Precisamos apenas compreender que a beleza das nossas beradeiras e beradeiros encantam qualquer ser sensível que possua coração e não uma pedra fria dentro do peito. Ofenças somente são engraçadas aos que pertencem a mesma estirpe. O riso com certeza ficou um pouco triste com esta tal Arte do Insulto. Como amo minha gente e todo este Brasil de meu Deus, apenas deixo vir aos meus lábios o meu sorriso. Um sorriso não pela graça sem graça deste camarada. Mas, um sorriso por saber que a beleza que ele tanto almeja, somente existe na sua inconsequência e palavras tão sem sentidos. Amar Rondônia é a poesia mais bela para todos nós. Ele não conhece com certeza o sorriso de nossas meninas. Não poderia jamais entender a beleza das andorinhas de agosto. Jamais ouviu os Tambores do Tracoá. Ele precisaria ver para saber como é que andava o trem na Madeira Mamoré. Porto Velho é o nosso dengo. Porto é um velho porto cheio de recordações. Com certeza nunca ouviu falar na beleza de Nazaré com o grupo musical Minhas Raízes. Não conhece o Vale do Guaporé. Nem viu os sorrisos do Bubu quando canta Serraria das onze horas. Ele precisaria ver a beleza da Rita Queiroz com suas pinturas beradeiras. Nem conhece as pastoras lá de Santa Bárbara. Precisaria ver os sorrisos da nossa população ribeirinha quando come peixe com farinha. Nunca viu a beleza das performaces do poeta Mado com o seu rosto pintado, demostrando a alegria de ser beradeiro. Nunca viu com certeza a beleza das meninas dos bois bumbás de Gujará e Porto Velho. Talvez nem saiba que existem pessoas lindas na festa do Divino Espírito Santo. Quem daria algum centavo para o que diz este tal Rafinha Bastos?
Acadêmico Samuel Castiel colocou a medalha à poeta Elsy Apire Vaca, membro correspondente da ACLER na Bolívia (F. Ciro Pinheiro/ACLER)
Presidente Angélica Cardoso, da ACARP, e acadêmico Clodomir Monteiro, presidente da Academia Acreana de Letras (F. Ciro Pinheiro/ACLER)
Parte do público que lotou o clube Boinas Verdes na cerimônia de abertura (F. Ciro Pinheiro/ACLER)
Duzentas e vinte pessoas participaram, dias 8 e 9 passados, em Guajará-Mirim, do I Encontro Cultural da Fronteira Brasil Bolívia, para debater uma temática inteiramente voltada àquela região através de palestras proferidas por especialistas brasileiros e bolivianos.
O evento foi promovido conjuntamente pela Academia de Letras de Rondônia, ACLER, a Academia Guajaramirense de Letras, AGL, e Sociedad de Escritores de Guayaramerin, SEG. com apoio do do 6º Batalhão de Infantaria de Selva,, Câmara Municipal e Prefeitura de Guajará-Mirim, Secretaria Estadual de Cultura e Prefeitura de Porto Velho. Na abertura oficial do Encontro, na noite de sexta-feira, no clube Boinas Rajadas, o professor doutor Dante Ribeiro da Fonseca, vice-presidente da ACLER fez palestra sobre o tema central do Encontro, “A Literatura, a História e a Cultura que nos unem” e a presidente da Sociedad de Escritores de Bolívia, poetisa Elsy Alpire Vaca, recebeu o diploma, a medalha e o broche de membro correspondente da ACLER.
As demais palestras foram: “A Fronteira e seus herois”, pelo escritor Matias Mendes, membro da ACLER; “Cultura de los pueblos amazonicos de Bolívia”, por José Luiz Duran, presidente da Sociedad de Escritores de Guayaramerin; “Cultura e Literatura de la Província Vaca Diez”, Alberto Ferrufino, Sociedad de Escritores de Riberalta; “Amazônia Boliviana”, por Hugo Leigue, da Sociedad de Escritores de Riberalta, além de uma exposição através do presidente da Academia Acreana de Letras, professor Clodomir Monteiro, sobre a importância do debate cultural entre as entidades regionais, palestra que substituiu a que estava prevista sobre “Tradição e fontes orais na história e na literatura amazônica”, a ser apresentada pelo acadêmico Carlos Alberto Alves de Souza, da Universidade Federal do Acre, que não compareceu devido ao falecimento de seu genitor.
Em seu pronunciamento durante a cerimônia de abertura, o secretário da SECEL, Francisco Leílson se disse surpreso com a quantidade e a qualidade dos participantes, lembrando que uma das metas do trabalho que o governador Confúcio Moura quer realizado nessa área é a ampliação da discussão e do conhecimento cultural regional.
Ao fazer uma avaliação do Encontro, o acadêmico Paulo Cordeiro Saldanha, presidente da AGL, disse que foi além das expectativas iniciais. “Isso demonstra que precisamos realmente não apenas discutir as questões da cultura regional, mas também trazer para essa discussão uma platéia como essa, de gente interessada realmente em melhor conhecer nossa realidade”.
Para o vice-presidente da ACLER, acadêmico Dante Ribeiro da Fonseca, “o sucesso deste Encontro aumenta nossa responsabilidade perante a sociedade rondoniense e sinaliza que teremos de trabalhar mais forte em próximos eventos”.
Frase do Dia: "Há um mundo melhor, mas custa caro" – Jornalista Rita Furtado sobre a saúde pública
01-Ninjas de gravata Com a participação da sociedade civil – imprensa e igreja – os “ninjas de gravata” promovem o painel “Rondônia Contra a Corrupção”, que acontecerá nos dias 18, 19 e 20 de maio. Debater e identificar meios efetivos para evitar e reprimir a corrupção na administração pública é a idéia dos seus promotores e ao abrir espaço para ouvir a sociedade, dá um passo importante para o caminho do envolvimento do cidadão comum com as causas maiores que são a transparência e o controle “a priori”. A Rede de Controle da Gestão Pública criada em 2009 já tem relevantes serviços prestados e dela faz parte o Comitê Rondônia Contra a Corrupção que fará o painel.
02-Saúde doente I Forçado a acompanhar uma gestante do sistema SUS, vivenciei o sofrimento do povo com a saúde doente. Sem plano de saúde, a indigitada optou por fazer o pré-natal numa “fundação” mais perto de casa e por um preço módico. Na hora do parto, o vai-vem entre a Maternidade Mãe Esperança e Hospital de Base por mais de duas semanas. Penalizado, levei-a a um dos renomados médicos da cidade que emitiu um laudo comprovando que ela já havia completado o período de gestação e que precisaria de atendimento diferenciado. O laudo não ajudou e a gestante foi mandada para casa com duas instruções: voltar todo dia ao hospital para avaliar os batimentos cardíacos do feto. Detalhe: “se você sentir que parou de bater, venha urgente!”
03-Saúde doente II Ontem à tarde-noite a gestante foi mais uma vez à Maternidade Mãe Esperança e de imediato foi encaminhada ao Hospital de Base com a recomendação para atendimento preferencial vez que apresentava um quadro de “sofrimento fetal agudo”. Cirurgia feita na madrugada e a mãe está agora com o seu bebê confortavelmente instalada numa maca no corredor do Hospital de Base enquanto aguarda um leito disponível. Junto a ela mais 3 gestantes na mesma situação. Vamos deixar combinados que na maca é melhor do que no chão. Será que o avião virá por aqui de novo? Será que o repórter global verá algo nunca visto antes em toda sua vida de TV?
04-Saúde doente III Durante a madrugada uma equipe de limpeza de uma empresa terceirizada entrou em cena. Tudo lindo de se ver. Logomarca nos uniformes bota, sorriso, crachá os limpadores entraram em ação, possivelmente preparando os corredores para se transformarem em quartos do Hospital de Base. Equipamentos de primeira linha: máquina de lavar, balde com água e sabão e o velho rodo. O resultado é um caldo sujo que é jogado porta a fora e que por lá fica até secar e o velho e querido rodo que deixa o piso melecado pelo resíduo de sabão. Tudo, creio eu, dentro do que preceituam os órgãos de vigilância sanitária. Mas vamos lá. Se em matéria de limpeza a coisa é pra lá de ruim, os funcionários do hospital, me deram uma boa notícia.
05-Saúde doente IV Algo aconteceu em pouco tempo e isso é alentador. No Hospital de Base, dizem os servidores, os índices de óbito foram reduzidos. Não tenho os números e me baseio apenas no que ouvi mas, se é verdade, significa que no resto também é possível avançar. Ora, se a resolutividade – palavra chave no atendimento de saúde pública – melhorou, a qualidade dos serviços que são atividades de apoio não apenas podem como devem, para que se obtenha a melhoria de outro índice não menos importante que é a redução da contaminação hospitalar, com ganhos para o estado, paciente e servidores. Isso é o começo do trabalho para humanizar o atendimento.
06-Buraqueira ampla, geral e irrestrita As máquinas estão nas ruas a cada intervalo de chuva mas a buraqueira cresce por todo canto da cidade, numa velocidade maior, complicando ainda mais o caótico trânsito de Porto Velho. Asfalto de qualidade ruim, remendos, chuva, alagações e nossa cultura de jogar água servida na rua fazem o resto. Parece porém que a solução porém é muito fácil, pelo menos na cabeça dos inúmeros nomes que começam a aparecer para disputar a Prefeitura de Porto Velho. Ora, como todos visam apenas o bem estar da cidade e a melhoria da qualidade de vida do povo, é maldade se falar que alguém possa estar de olho na arrecadação crescente do município. Nada disso. É tudo republicano. Coisa do tipo “pelo-para”. Pelo povo e para o povo. Haja altruísmo...
07-Pegando no tranco Bastou que um maluco aparecesse matando crianças para que os nossos políticos – o incomum José Sarney à frente – tivesse uma idéia brilhante: rever o referendo já ocorrido há quase uma década sobre o desarmamento. Fui e sou a favor do desarmamento mas exijo respeito ao que decidiu a população e por ampla maioria. Referendo ou plebiscito sobre armas é casuísmo . Aí é querer pegar no tranco. O que falta é respeito à lei. No Brasil, 8 milhões de armas de fogo ilegais e fabricadas no Brasil, estão nas mãos de civis. Se a lei fosse cumprida ó seo Sarney, a discussão nem ocorreria. Mas quando nem a Constituição é respeitada e fundações culturais como a sua, solapam o cofre da viúva, fica difícil exigir que se cumpram quaisquer outras leis.
08-Vem rolo pelaí O Sintero pôs o bloco na rua e anuncia que a “tchurma” está irada com os 6% de aumento do governo. As esposas de militares da PM e Corpo de Bombeiros já estão preparando o panelaço para ir ao Palácio e os cadeados para trancafiarem seus homens nos quartéis. Enquanto isso, lá na beira do Madeira, os deputados assistem de camarote e de Brasília o senador Cassol roda o pau de bater em doido pros lados do governador Confúcio Moura. Se essas forças conseguirem o milagre de se juntarem – o que é muito difícil – pode ser que façam chover, mas vão deixar o céu pretinho. E aí, lembro aquele ditado: água de ladeira abaixo e fogo de ladeira acima... Vixi!
09-Megafone ligado De olho na cadeira de prefeito da capital, o deputado Hermínio Coelho desce o sarrafo. Com o megafone ligado, disparou a metralhadora verbal pra todo lado e só refrescou pros lados do governo federal. Entraram na dança Sobrinho, Cassol , bancada federal, Confúcio Moura e até os sindicatos que segundo eles adotam a política de enganarem os servidores sobre a EC-60 conhecida como PEC da Transposição. Escolhidos a dedo, os temas de Hermínio encontram guarida entre o povão e servidores. Intuitivo, Hermínio não carece de marqueteiro para lhe dar o mote. Quem vem do povo continua povo mesmo se em cargo público. Vai dar um trabalhão!
10-FHC chacoalhando as oposições Podem creditar muitos erros e defeitos a FHC menos o de ser previsível ou acomodado. Num artigo disponível no Folha On-line – clique aqui para ler na íntegra – o sociólogo, tenta abrir o caminho a ser trilhado pelas oposições e para variar, “deu milho pra bode”. Em determinado trecho FHC propõe que a oposição se volte para as "novas classes possuidoras", alheias ao jogo partidário, mas ativa nas redes sociais como Facebook, YouTube e Twitter. Claro que suas palavras encontram abrigo aqui e ali, mas dentro do seu próprio partido, o PSDB, a mensagem chegou truncada. Ora, o que causa arrepio em pena de tucano, é música para os governistas.
A prefeitura de Cacoal realiza entre os dias 14 e 16 a III Semana dos Povos Indígenas. Vasta programação vai acontecer durante a comemoração. Entre as autoridades que confirmaram presença no evento está o Secretário da Secel Chicão Leilson que na oportunidade vai representar o governador Confúcio Moura. A equipe dos Pontos de Cultura Rondônia também vai estar presente nas pessoas do coordenador José Monteiro e dos técnicos Silvio Macedo e Gino Serrati.
A programação divulgada pela Fundação Cultural de Cacoal – FUNCCAL é a seguinte:
Dia 14 das 8h00 as 22h00 – Exposição de fotos, peças, artesanato indígenas, telas, pintura corporal e filme.
Das 9h00 as 15h00 – Filme “As Crianças da Amazônia”
Das 14h00 as 15h00 – Palestra “A História da Escrita e a Escrita Paeter Construindo a sua História” com Ana Suelly Arruda Câmara Cabral – Linguistica – Laboratório de língua indígenas da Universidade de Brasília, Participação do professor Joaton Suruí e do Mestrando Chicoepab Suruí.
As 19h30 – Abertura oficial – Fala das autoridades.
As 20h00 – Lançamento do livro Bilíngue – Histórias do Clã Gapgirey e o Mito do Gavião Real – Gapgir ey Xagah. Amo Gapgir ey Iway AMõ Anar Segah ayap mi Materet ey mame Ikõr Nih – de Gakamam Suruí – Transcrito por Joaton Suruí e Anderson Suruí.
A programação do dia 15 começa com a abertura dos jogos indígenas e no dia 16 termina com a premiação aos vencedores dos jogos indígenas.
A artista plástica Rita Queiroz foi homenageada na manhã de ontem 13, durante abertura do 11º Encontro de Magistrados do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região. A homenagem aconteceu no momento do lançamento da “Revista do Tribunal do Trabalho” cuja capa, é ilustrada pela obra em óleo sobre tela “Vida de Seringueira” da artista rondoniense. A comenda foi entregue a Rita Queiroz pelo Ministro do Tribunal Superior do Trabalho Pedro Paulo Teixeira. Emocionada, Rita em seu discurso de agradecimento elogiou o trabalho que vem sendo desenvolvido pela 14º DRT junto ao povo que mora às margens do rio Madeira. “A homenagem aqui vai para todos os funcionários dessa Delegacia, pela assistência que prestam ao meu povo beradeiro”, disse Rita Queiroz. Na oportunidade a artista colocou parta apreciação do público, algumas obras da coleção “Descamação Celular” que é parte integrante da exposição “Andanças pelas Picadas”. “Trouxe apenas 6 telas, o Vitral, além da instalação “Rede” em virtude do pouco espaço”, finalizou a artista.
Vamos corrigir o erro que publicamos no Zekatraca de ontem, na matéria sobre o Arraial Flor do Maracujá.
******** Onde se lê: A primeira parcela de R$ 600 Mil estará na conta da Federon até o dia 2 de maio.
******** Leia-se em, R$ 300 Mil.
******** Atenção gente boa dos grupos folclóricos, que passaram a manhã de ontem ligando para a Federon para saber qual o valor de cada grupo.
******** A primeira parcela será de apenas R$ 300 Mil.
******** R$ 600 Mil é o valor total que a Federon solicitou à Secel. Deu pra entender cambada?
******** Enquanto isso as pessoas estão me ligando, passando e-mail e cobrando pessoalmente, uma posição nossa a respeito do “suposto humorista” Rafinha Bastos que aparece no programa CQC da Bandeirantes.
******** Os rondonienses estão, indignados com o dito cujo, que em sua terra natal, deve ser conhecido como CARA DE CAVALO, ESPIGÃO E MAL FEITO e até dizem que ele nasceu por acaso, daí estar mais pra doido que para ser humano normal.
******** Pois bem amigos!
******** Não vou dar cartaz ao “meliante” que em Rondônia, é obra de quem promove os encontros do “Sempre um Papo”
******** Os promotores desse evento, que por sinal é cultura de alto nível, devem entrar em contato com o humorista sem qualidade, e exigir que o mesmo se retrate perante o povo rondoniense.
******** O cara veio aqui, levou uma grana boa, foi recebido com todo carinho pelo público rondoniense e o pagamento, foi denegrir a imagem do nosso povo.
******** Aliás, a Secretaria das Mulheres comandada pela nossa amiga Mara Regina deveria tomar providencias, no sentido de fazer parar tantas aberrações que pessoas como o Rafael (Rafinha), Dr. Marco e o professor Nazareno falam e escrevem a respeito das mulheres rondonienses.
******** Certa vez a atriz Suzana Vieira fez algumas declarações em rede de televisão contra Rondônia e por um acaso, no mesmo, veio aqui o ator Stepan Nercessian e reclamamos ao mesmo o ocorrido já que a época, ele era presidente do Sated-RJ e ele nos garantiu que assim que chegasse ao Rio de Janeiro iria exigir que a atriz se retratasse. Ele cumpriu o prometido e a Suzana Vieira pediu desculpa ao vivo no Vídeo Show da Rede Globo.
******** Assim esperamos que o Fred Perillo e o Domigues façam. Exijam do “Raspinha” que se retrate junto ao povo de Rondônia no CQC.
******* Se não o “LINDINHO” ficará excluído da agenda do povo feio de Rondônia.
******* Isso só acontece porque somos um povo ótimo de convivência. Aceitamos qualquer um em nossas casas. Ajudamos muitos a enriquecerem a custa do nosso suor. ******* É como diz o Flávio Daniel:
******** Rondônia é terra de muitos chegantes e poucos ficantes.
******** Rondônia é terra que mata a fome de muita gente e depois que essa gente enche a barriga, dá uma banana para a nossa gente.
******** Felizmente não ligamos para esses que nos sacaneiam a custa do nosso dinheiro.
******** Rondônia é superior a tudo e a todos.
******** Somos sem sombra de dúvida o estado mais rico da Amazônia e uma dos mais ricos do Brasil.
******** Não temos apenas madeira, para exportar, temos tudo que se possa imaginar.
******** Não somos nem destemidos e nem pioneiros.
******** Somos superiores, somos um povo guerreiro.
******** Rondônia é Rondônia e nada mais que isso.
Aquela pessoa ali fora da quadra passando estratégias ao tenista tem uma visão muito melhor que o atleta. Serve também para o técnico de futebol, em relação ao técnico do nadador, ao líder em apoio a sua equipe. Estamos carecas de saber quanto o sujeito da ação tem um olhar embaçado e o quanto uma visão transversal colabora para montar estratégias vitoriosas. Mas de alguma forma, o técnico do tenista, o técnico de futebol, o técnico do nadador e inclusive o líder, ainda estão submetidos a indicadores, perspectivas e sobre o julgo do próprio envolvimento. Queremos salientar com isso que ouvir a opinião de quem não está envolvido no contexto do próprio problema, de uma dificuldade, de um enigma, pode facilitar uma decisão.
A descoberta da penicilina deu-se em condições muito peculiares, graças a uma seqüência de acontecimentos imprevistos e surpreendentes. No mês de agosto de 1928 Fleming tirou férias e, por esquecimento, deixou algumas placas com culturas de estafilococos sobre a mesa, em lugar de guardá-las na geladeira ou inutilizá-las, como seria natural. Ao retornar ao trabalho, em setembro do mesmo ano, observou que algumas das placas estavam contaminadas com mofo, fato este relativamente freqüente. Colocou-as então, em uma bandeja para limpeza e esterilização com lisol. Neste exato momento entrou no laboratório um seu colega, Dr. Pryce, e lhe perguntou como iam suas pesquisas. Fleming apanhou novamente as placas para explicar alguns detalhes ao seu colega sobre as culturas de estafilococos que estava realizando, quando notou que havia, em uma das placas, um halo transparente em torno do mofo contaminante, o que parecia indicar que aquele fungo produzia uma substância bactericida. O assunto foi discutido entre ambos e Fleming decidiu fazer algumas culturas do fungo para estudo posterior.
A descoberta da Penicilina é ótima para exemplificar que quando nos concedemos a oportunidade de explicar para outra pessoa onde desejamos chegar ou o que estamos tentando resolver, nós somos compelidos a reconstruir o próprio problema. Ao reconstruirmos um problema ou hipótese de uma tomada de decisão, para alguém que não está envolvido diretamente com a situação, para que possamos obter a sua opinião, exercitamos entre outras coisas a reconstrução dos dados, a origem das dúvidas e certezas, os pontos positivos e negativos dos caminhos que podemos tomar, enfim, exercitamos o poder da humildade. O poder da humildade é uma janela ampliada que nos oportuniza ver as coisas e nossas atitudes não apenas como profissionais ou "sabedouros de tudo", mas como seres humanos. A terceira opinião não entra por um ouvido e sai pelo outro, como há ressonância, ela entra em nós e encontra eco.
Nas orientações que damos nos trabalhos de conclusões de cursos de pós-graduação, vencidas as etapas de identificar qual é o problema que o aluno quer pesquisar, as perguntas iniciais são por que desejamos resolver este problema e se esta solução é importante? Etapas que nunca são seguidas pelos orientandos. Todos desejam iniciar pela introdução sem saber o que a introdução é o que desejamos. Costumamos pedir para que seja solicitado a pessoas leigas, que não dominam o tema ler e opinar sobre o trabalho. No início os orientandos ficam decepcionados, mas a contribuição é fantástica. Já imbuídos do poder da humildade podem ouvir e ver outras opiniões como seres humanos e não como alunos de pós-graduação em trabalho de conclusão de curso.
Sabe-se que Freud e Einstein trocaram muitas cartas e confidências, publicadas em alemão, francês e inglês, cuja venda, inclusive, na época foi proibida na Alemanha. Os Princípios de Filosofia de Descartes, ele foi dedicado à princesa palatina Elisabeth, com quem o autor troca importante correspondência. Pela manhã, jogava cartas com lenhadores e homens simples. "À noite, trocava as roupas enlameadas pelos trajes oficiais e se dirigia ao gabinete de trabalho onde lia, escrevia e dizia encontrar-se com os homens da Antigüidade". Foi dessas terceiras opiniões que teríamos um dos livros mais clássicos da história O Príncipe escrito por Maquiavel.
Ouvir e ver realmente uma terceira opinião é o que nos permite o estado de contemplação. Estamos muito velozes e os automóveis velozes perdem a paisagem. Não há descoberta sem contemplação. Os homens e mulheres em contemplação são descobridores. Descobridores porque desvendam, desnudam, desnublam, não tem sossego de desfazer e refazer o novelo quantas vezes for necessário. Contemplar uma opinião é dar ao vazio o preenchimento. Sempre existe um espaço que não utilizamos e ele com certeza, é a nossa corda de salvação, os 110% que deveríamos colocar no nosso dia-a-dia, mas só o injetamos em casos extremos. As inovações de valor estão repletas desse design, desse desenho. Talvez este espaço seja o diferencial de nossas vidas, que nos faz superar expectativas. Superar expectativas com as portas fechadas é solidão, só quando as abrimos é que se dá o milagre da construção.
Paulo Ricardo Silva Ferreira
Educador Facilitador. Presidente do Instituto Eckart Desenvolvimento Humano e Organizacional. Doutorando em Ciências Empresariais pela Universidade de Leon/Espanha, administrador de empresas, curso de psicologia, pós-graduado em administração hospitalar. Professor universitário em cursos de graduação e pós-graduação. Consultor em estratégia empresarial, desenvolvimento organizacional (DO), comportamento, mudança intervencionista e inteligência empresarial da Eckart Consultoria. Presidente da Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul. Palestrante nacional destacado pela abordagem multidimensional das organizações, abordando temas como valores humanos, ética, comportamento e desenvolvimento humano continuado e pensamento estratégico.
Há tempos venho defendendo a substituição da lógica do projeto para a do empreendimento na avaliação das leis de incentivo à cultura. O Estado deixaria de olhar para uma ação pontual e passaria e concentrar sua atenção no desenvolvimento de negócios culturais, planejados e sustentáveis, e sua relação com toda a cadeia produtiva.
Além de diminuir substancialmente o volume de propostas analisadas, o MinC focaria seus esforços no desenvolvimento da atividade cultural e não nessa insana operação tapa-buracos que se transformou a gestão da Lei Rouanet, um mecanismo que já se tornou motivo de chacota na imprensa e sinônimo de privilégio de poucos, perante a opinião pública.
Penso que somente uma mudança estrutural na Lei Rouanet seria capaz de alterar esse descrédito da sociedade para com o setor cultural.
Com critérios mensuráveis, como tempo de existência do empreendimento, número de pessoas envolvidas, perenidade e força das relações profissionais e trabalhistas, estágio do desenvolvimento do empreendimento e importância para a cadeia produtiva, além daqueles já inseridos no Procultura, como acessibilidade das ações e compromisso público com a atividade cultural realizada, garantiriam o melhor desempenho do mecanismo.
A vantagem desse modelo é que o patrocinador volta-se para uma relação com o empreendedor e não com o projeto, mais facilmente apropriável pelo poder econômico. O empreendedor passa a enxergar suas atividades a partir de um planejamento mais duradouro, focado em sua atividade artística e sua relação com o público, e não no patrocínio e numa relação frágil e pontual.
Para acessar o instrumento seria necessário o desenvolvimento de um plano de negócios. Com esse estímulo, os empreendedores teriam maior capacidade de enxergar sua atividade como uma plataforma de oportunidades: de linguagem, de relação com o público, de gestão e financiamento.
Isso não significa necessariamente uma subordinação da cultura a uma lógica econômica. Pelo contrário, o incentivo estatal funcionaria como um estímulo e uma garantia de sobrevida do empreendimento, mesmo sem se preocupar com o retorno financeiro a curto prazo. A economia a serviço do cultural e não o contrário.
O incentivo teria de ser por tempo limitado (5 anos, por exemplo). Dependendo da natureza do empreendimento (se a finalidade é lucrativa ou não, por exemplo) ele poderia continuar a receber os recursos, estabelecendo uma proposta de ampliação do objeto e do atendimento à população. O acompanhamento das metas e objetivos seriam mais rígidos com esses proponentes e a ação do MinC mais qualificada, auxiliando a construir ferramentas de gestão contemporâneas, de forma colaborativa.
Disponibilizado em rede e em programas de formação continuada, o setor cultural teria condições de garantir o objetivo maior do programa, que é estruturação do setor, o estímulo à produção e a formação de redes de colaboração e circulação de arte e cultura.
Um fundo autônomo, outro instrumento que defendo há muito, muito tempo, atuaria em ações estruturantes, no investimento em infraestrutura e sobretudo em pesquisa e experimentação, estágio em que a atividade cultural ainda não se configura (nem quer configurar) como negócio.
Não devemos mais falar em área de atuação cultural, ou de fundos setoriais. Isso é coisa do século passado e serve somente para reforçar igrejinhas e sistemas de poder em torno de uma resistência que não é cultural, mas sim política e econômica.
Hoje, a produção cultural é tão sincrética que já não conseguimos definir os limites do cinema, das artes visuais, do teatro, dança, ou da música. O maracatu pra mim é melhor exemplo disso. Impossível classificá-lo, a não ser que criemos uma nova categoria de análise e financiamento. Isso geraria infinitas igrejinhas e sistemas de representação e classes estimuladas pelo Estado, além de estancar a produção cultural, que deixa de evoluir para atender aos interesses de “classes”. A atual disputa de espaço pelo MinC é um claro sintoma disso.
Os editais criados pelo Estado nos últimos anos segue uma lógica inversa aos movimentos da sociedade. Transforma linguagens artísticas em nicho de atuação política, movimentos espontâneos em atividade econômica e direitos culturais em privilégios de classe.
O Procultura está no Congresso e é lá que deve seguir sua trajetória, com debate público qualificado e propostas concretas de alteração do texto da Lei. Um novo começo de conversa.
Pesquisador independente de políticas culturais, autor do livro "O Poder da Cultura". Diretor do documentário "Ctrl-V | VideoControl, criou e edita o site Cultura e Mercado. É sócio-diretor da Brant Associados, consultoria para desenvolvimento de negócios culturais. Para mais artigos deste autor clique aqui
Em recente audiência com a ministra Eliana Zugaib (Ministério das Relações Exteriores - MRE), e com a encarregada pela Divisão de Promoção Audiovisual do MRE, Paula Alves de Souza, os organizadores do FestCineamazônia, Jurandir Costa e Fernanda Kopanakis, apresentaram o projeto de Itinerância do Festival para 2011.
Entre surpresas e entusiasmadas com a abrangência do FestCineamazônia Itinerante, que hoje leva cinema e cultura produzidos na Amazônia a seis países (Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Portugal e Cabo Verde), além de já acontecer em muitos municípios de Rondônia e em todas as capitais da região norte e à ilha Fernando de Noronha, prontificaram-se em analisar a melhor forma de apoiar o projeto. “Vocês estão de parabéns pela iniciativa de levar cultura daqui e muita reflexão aos povos de outros continentes. O mundo precisa ficar sabendo que a Amazônia também produz arte”, ressalta a ministra.
Os organizadores não escondem o contentamento pelo reconhecimento do projeto e o alívio por estar assegurada mais uma itinerância. “Esse era o nosso temor: não continuar um projeto que tem não apenas denunciado a agressão ao homem e à natureza, mas que também apresenta alternativas mais comprometidas com a integridade do Planeta e de todos nós. Nosso sonho é levar essa mensagem ainda mais longe, através da arte”, aponta Jurandir Costa, fundador do Festival.
O apoio é concedido via Divisão de Promoção Audiovisual do MRE, que analisa projetos como o FestCineamazônia levando em conta sua instrumentalização disseminadora da arte produzida no Brasil.
Rondônia vai sediar o Festival Nacional de Quadrilhas na estrutura do Maracujá
O secretário da Secel Francisco Leilson Chicão recebeu na manhã de ontem 12 em seu gabinete, a diretoria executiva da Federação de Grupos Folclóricos de Rondônia – Federon. O encontro foi solicitado pela direção da Federon através do presidente Fernando Rocha com o objetivo de discutir sete pontos relativos a produção e coordenação da Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás, vai acontecer no Arraial Flor do Maracujá.
O primeiro item da pauta foi quanto ao subsídio que será repassado aos grupos folclóricos este ano. Chicão informou aos dirigentes folclóricos, que vai defender junto ao governador Confúcio Moura liberação de um valor acima do solicitado pela Federon que é de R$ 600 Mil. “Vamos conversar com o governador no sentido de aumentarmos esse valor”. O 2º ponto sobre o local onde o Arraial será montado. “Temos três sugestões: no terreno onde foi realizado no ano passado; outro que ainda estamos vendo a viabilidade e o espaço da Expovel”. 3º Ponto da pauta – Os dirigentes folclóricos solicitaram o que Regulamento do Flor do Maracujá seja desmembrado em dois. O 1º vai cuidar especificamente da parte artística, ou seja, das apresentações dos grupos e o segundo, da estrutura como venda e coordenação das barracas, parque, sonorização, iluminação, arquibancadas e camarotes. A sugestão volta a ser discutida em outra reunião. Entre as questões em discussão estava a transmissão por parte dos canais de televisão. Os grupos querem fazer parte do bolo e não servir apenas de moeda para as emissoras.
Chicão garantiu que o repasse será dividido em três parcelas e que a primeira no valor de R$ 600 Mil estará na conta da Federon até o dia 2 de maio próximo. A segunda no final, do mês de maio e a terceira na primeira quinzena de do mês de junho.
Festival Nacional de Quadrilhas
O presidente da Federon Fernando Rocha sugeriu ao Secretário Chicão a parceria Federon Governo de Rondônia e Confederação Brasileira de Grupos de Quadrilha - COFEBRAQ na realização do Festival Nacional de Quadrilhas que vai acontecer nos dias 16 e 17 de julho. “Preciso conversar com o governador para dar uma reposta a vocês. Creio que ele vai acatar a sugestão”, disse Chicão.
Caso o governador bata o martelo em relação ao Festival Nacional de Quadrilhas o Arraial Flor do Maracujá vai acontecer entre os dias 1º e 10 de julho e as eliminatórias entre os Grupos de Quadrilha que irão ganhar o direito de se apresentar do Flor do Maracujá de 2012 nos dias 13, 14 e 15 de julho. A mudança na abertura do Flor do Maracujá é para se aproveitar a mesma estrutura na realização do Festival Nacional.
Na próxima terça feira dia 19 vai acontecer nova reunião quando será formado o Grupo de Trabalho específico para trabalhar o Arraial Flor do Maracujá versão 2011.
Amanhã 14, o romancista, poeta e historiador Antônio Cândido vai apresentar na Casa da Cultura Ivan Marrocos sua mais recente obra literária.
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Diaruí a história ou a saga do povo Karipuna.
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Infelizmente, não podemos nos alongar nos comentários sobre a obra daquele que consideramos um dos melhores escritores de Rondônia, porque só vimos o convite, o exemplar para analise não nos foi enviado. De qualquer maneira, muito obrigado pelo convite para participar do coquetel de lançamento do livro.
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Pelo que li no artigo do Montezuma Cruz publicado no site Gente de Opinião, Antônio Cândido explora a verdadeira história daquele índio Karipuna que apareceu na minissérie Mad Maria exibida pela Rede Globo.
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Justamente o índio que aparece mutilado de uma das mãos.
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Na pesquisa do Antônio Cândido a mutilação é na perna e não no pulso.
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Só não irei ao lançamento do livro do Antônio Cândido porque estarei em Cacoal, precisamente, na aldeia Suruí participando do lançamento do livro GABGIR EI XAGAH sobre a língua dos Suruí
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A viagem é a trabalho, já que faço parte da Coordenação dos Pontos de Cultura e a tribo que vai promover o lançamento do livro, é Ponto de Cultura.
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A reunião realizada ontem no gabinete do Secretário da Secel Chicão Leilson foi bastante proveitosa.
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O pessoal do grupos folclóricos saiu satisfeito com a conversa do secretário, principalmente na questão do repasse do subsídio financeiro aos grupos.
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Pelo que ficou entendido (não confirmado), o governo estadual vai entrar com o patrocínio de R$ 600 Mil, no mínimo. Chicão disse que vai reivindicar mais um pouco.
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A primeira parcela vai estar na conta da Federon até o dia 2 de maio.
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O interessante era que para garantir as promessas, Chicão sempre dava uma olhada para a Gerente Bebel se ela fizesse o sinal de positivo a promessa era feita.
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Isso é que é trabalhar em equipe!
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Outra boa noticia que saiu da reunião, foi praticamente a confirmação da realização em Porto Velho, do Festival Nacional de Quadrilhas.
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Ano passado esse festival aconteceu em Rio Branco Acre e tivemos dois grupos participando. Rádio Farol e Juabp.
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O que considero como grande vitória dos folcloristas, foi o secretário acatar a idéia do desmembramento do Regulamento.
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Será formado um grupo de trabalho para elaborar a minuta no novo regulamento e assim, tenho certeza, que as apresentações dos grupos folclóricos vão se adequar melhor.
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Já era hora. O secretário Chicão sabe das coisas. Entende do riscado e por isso conversa com a turma olhando nos olhos.
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É por isso que digo: “É bom conversar com sabe e beber com quem paga”
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Caso o governador Confúcio bata o martelo para a realização do Festival Nacional de Quadrilhas, o Flor do Maracujá vai acontecer entre os dias 1º e 10 de julho.
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A mudança do mês do arraial será por uma causa justa!
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Já pensou a gente apreciando apresentações de quadrilhas de Campina Grande, Caruaru, Fortaleza e outros estados aqui em Porto Velho? Vai ser o bicho!
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Por falar em folclore, tudo indica que durante o Carnaval Fora de Época de Porto Velho, que este ano vai voltar a ser realizado na rua Jorge Teixeira, vamos ter a apresentação pela primeira vez, do BOI ELÉTRICO, Corre Campo.
O vídeo em que o comediante e apresentador do programa CQC, Rafinha Bastos, profere várias piadas relacionadas à aparência do povo de Rondônia, tomou conta das mesas de debate dos programas de televisão, jornais e rádios de estado.
Várias pessoas deixaram seus comentários de desagravo ao comediante através do twitter e na caixa de comentários do Youtube, site onde o vídeo foi propagado e mostrado em primeira mão pelo jornal Rondoniaovivo.com.
Parece que os comentários pegaram tão mal, que o show de Rafinha Bastos em Porto Velho, previsto para o mês de julho desse ano foi cancelado. As informações vieram através do twitter do organizador do evento, Fred Perillo.
Perillo é chefe do Departamento de Comunicação do Governo de Rondônia e promotor de eventos culturais como os projetos “Sempre um Papo” e “Circuito de Humor”, no seu twitter Perillo confirmou o cancelamento do show e lamentou a decisão.
“A obscuridade, como sempre, prevaleceu. Cancelei o show do @rafinhabastos em Porto Velho. Faremos em Manaus, Belem e Rio Branco em julho” (Ipsis Litteris), afirmou Perillo em seu twitter.
Fred Perillo também afirmou através de seu twitter que está pensando em cancelar o projeto “Circuito de Humor” em Rondônia, já que de acordo com ele, as pessoas não entendem piada, muito menos o humor “stand-up”, dando a entender que no momento em que ele escreve pessoas, se refere ao público de Rondônia.
“Pensando em cancelar o @circuitodehumor. Se as pessoas não entendem piada, muito menos o humor stand-up, que eh politicamente incorreto” (Ipsis Litteris), escreveu Fred Perillo em seu twitter.
A equipe de reportagem do Rondoniaovivo tentou entrar em contato com Fred Perillo através de seu telefone, porém não foi possível contato, pois ele está em Brasília, exercendo atividades referentes ao seu cargo no Governo do estado. Porém, deixamos aberto o espaço para que sejam informados maiores esclarecimentos sobre o cancelamento do show.
Os dois vídeos publicados no Rondoniavivo foram retirados do ar, após contestações de direitos autorais da empresa Rafinha Productions. Um fato muito intrigante, pois se as piadas não foram para ofender os rondonienses, porquê a preocupação de Rafinha Bastos em retirar especificamente os vídeos do youtube em que ele fala de Rondônia?
Existem vários vídeos de shows de Rafinha Bastos veiculados através do youtube, se o problema é direitos autorais, cabe a ele retirar todos, não apenas os que falam de Rondônia.
Confira novamente o vídeo antes que seja retirado:
O Sarau Inter Cultural será realizado pela Associação dos Professores de Espanhol, a partir das 18 horas de sábado (16), no Mercado Cultural. Além de shows musicais, poesias e apresentações teatrais, haverá uma variedade de comidas típicas, dentre outras atrações programadas pelos organizadores. O evento é uma parceria da Universidade Federal de Rondônia (Unir) com a prefeitura de Porto Velho, através da Fundação Cultural Iaripuna.
A Agenda Cultural da semana também destaca as comemorações alusivas ao Dia do Exército, com duas apresentações da banda de música da 17ª Brigada de Infantaria de Selva. Uma delas será na sexta feira (15), na Praça Getúlio Vargas e outra no domingo (17), na Praça Aluizio Ferreira.
Programação
Quinta feira (14 de abril) – Quinta da Seresta – Show de músicas ao vivo com intérpretes regionais, a partir das 19 horas, no Mercado Cultural.
Sexta feira (15 de abril) – Apresentação da banda de música da 17ª Brigada – comemoração do Dia do Exército, das 18 às 20 horas, na Praça Getúlio Vargas.
Sexta feira (15 de abril) – A Fina Flor do Samba – Show de compositores e intérpretes do samba de Porto Velho e convidados, a partir das 20 horas, no Mercado Cultural.
Sábado (16 de abril) – Sarau Inter Cultural em parceria com a Unir, das 18 às 20 horas, no Mercado Cultural, realizado pela Associação dos Professores de Espanhol.
Sábado (16 de abril) – Feira do Porto – Exposição e comércio de artesanatos e comidas típicas da região. Também haverá apresentação do Grupo de Dança Furação e show de MPB com a dupla Meire e Renato, a partir das 19 horas, na Praça Aluizio Ferreira.
Domingo (17 de abril) – Atividade Religiosa na Igreja de Santo Antônio (patrimônio histórico construído na comunidade que tem o nome do santo) onde iniciou a cidade de Porto Velho. O local é propício para contemplar as belezas do Rio Madeira e tirar fotografias.
Domingo (17 de abril) - Apresentação da banda de música da 17ª Brigada – comemoração do Dia do Exército, das 18 às 20 horas, na Praça Aluizio Ferreira.
Domingo (17 de abril) - Feira do Porto – Exposição e comércio de artesanatos e comidas típicas da região. Também haverá apresentações dos grupos de dança Accuneraa e Atrito “X”.
Sindicatos dos músicos do Estado de Rondônia é a única ferramenta da categoria capaz de defender os interesses individuais e coletivos e proporcionar benefícios significativos para o músico e seus familiares.
A diretoria do SIM/ RO tem encampado uma luta junto a categoria com propósito de unir e debater assuntos de relevância. Para tanto, foi progamado um encontro que acontece todas as quartas-feiras, no estabelecimento Mandacaru. Aos poucos está acontecendo a conscientização sobre a necessidadade dos músicos apoiarem e se filiarem ao SIM/RO.
O sindicato dos músicos hoje aceita a filiação de músicos profissionais e amadores. Sabemos que é fundamental que estejamos unidos para ganharmos força e podermos ter representatividade junto ao poder público e as organizações da iniciativa privada.
Venham conosco e somemos para que possamos além de defendermos a nós mesmos,projetar dias melhores para as próximas gerações.
Leonardo Brant http://www.brant.com.br
Pesquisador independente de políticas culturais, autor do livro "O Poder da Cultura". Diretor do documentário "Ctrl-V | VideoControl, criou e edita o site Cultura e Mercado. É sócio-diretor da Brant Associados, consultoria para desenvolvimento de negócios culturais. Para mais artigos deste autor clique aqui