Poucos dias que Cozinha assumiu a Presidência, descobriu que a sede estava prestes a desabar, logo resolveu mudar-se para a sede Continental. Rapidamente ele pediu que Chico Cururú avisasse aos pescadores a respeito da Colônia, mas ninguém se apresentou, então ele foi pedir ajuda aos seus amigos. Coizinha juntou-se com: João Porto, Bolinha, Zé Arlindo, Valmir, Dondome João Ribeiro, derrubaram a casa e foram pedir colaboração. Dudu deu 200 cruzados, Boiadeiro 100, Paulo 100, Bastin 50, Ten. Capitania 1 lata de tinta. Na ocasião vinha comida da casa de Abraão, Dondom e, Diringa fornecia açúcar e refresco e Clóvis dava os pães.
Um belo dia chega o sogro de João Gaspar dizendo que ali estava parecendo um chiqueiro de porco, Coizinha como responsável pelo serviço não respondeu nada, mas os amigos falaram que o cidadão era saliente e, enfim não sabia o que falava. Outro dia, quando Coizinha estava trabalhando com Waldir Rodrigues chega Jesus da Mata perguntando porque ele não foi a uma reunião na Barra. Respondeu Coizinha que esteve ocupado e não pode ir, logo Jesus irritou-se e disse que era membro da Secretaria Executiva. Coizinha não ficou atrás e disse que era Presidente, foi eleito pelo voto direto, não poderia ser gritado por um simples funcionário que nem era pescador e, que só estava ali provisoriamente no lugar de Zélio. Em seguida comunicou a Diretoria, reuniram-se e demitiram Jesus da Mata.
Bela tarde, por volta das 17:00 horas quando os trabalhadores iam para casa, Coizinha pediu que Biné lhe aguardasse na Colônia, enquanto ele resolvia um problema. Rapidamente ele foi à casa de Cardoso, lhe convidou para ir na sede, quando chegaram, ele perguntou em que poderia e se comprometeu com 40 sacos de cimento. No dia seguinte, ele encontra Coizinha na rodoviária e avisa que o cimento já se encontrava em Barro Duro, então Coizinha tratou de prevenir Edilson Cardoso para transportar o cimento. Ele ficou esperando o caminhão na Firma de Cardoso, quando chegou só desembarcaram 39 sacos, se não fosse um amigo de Coizinha que estava presente, e pediu para colocar os 40 e mandou deixar na Praça dos Teremembés, tinha apodrecido lá.
Já transportado para a casa de Miguel Goes, Coizinha pediu que Amadeu colocasse na casa da mãe de Mudo, então cobrou 100 cruzados. Achando muito, ele deixou por 80, nesse momento apareceu Diringa e pagou. Diringa pergunta de quem era o cimento e fica sabendo que pertencia à Colônia, logo a notícia se espalha e vários pescadores vieram olhar. Depois Coizinha resolveu cerras os postes de madeira de sede Continental, que seu as travessas e mais algumas peças. No final faltou uma travessa, ele pediu ajuda dos pescadores, mas logo alegavam que eram lascados e não tinha dinheiro, foi obrigado o Biné comprar do seu próprio dinheiro e oferecer para a Colônia.
Cardoso, além de dar o cimento, ainda deu 10.000 cruzados para a restauração da sede Continental, mas só foi necessário a metade. Da outra parte, foi tirado uma quantidade para a aquisição de uma máquina de escrever, onde Coizinha e Zélio se responsabilizaram de comprá-la em São Luiz. À noite Coizinha estava em casa, quando chega Cardoso e Joãozinho Ambrózio pedindo que ele reunisse a Diretoria às 8:00 horas do dia seguinte na Praça Getúlio Vargas. Ele reuniu o pessoal, como combinado, todos apressados para saber do assunto, pediram que ele fosse chamar Cardoso. Rapidamente Cardoso veio, pegou uma quantidade de dinheiro e falou que era para fazer uma manutenção na sede Continental. Todos ficaram admirados com tanto dinheiro, entregaram ao Tesoureiro Wilson Madalena e mandaram fazer um reparo geral na sede. Na sede existia gerador e motor, os mesmos foram vendidos. O gerador foi vendido para Clóvis por 80 cruzados e Chagas Lima comprou o motor, o dinheiro foi empregado nos serviços de recuperação da Colônia.
Após essas vendas, apareceram dois senhores da Federação convidando o presidente Coizinha para apoiar um candidato a deputado estadual, o Dr. Salomão Souza, que exigia a sua presença, pois todas as colônias do Baixo Parnaíba estavam lhe apoiando e, no entanto só restava a de Tutóia. Sem dúvida, ele confirmou sua presença juntamente com os demais presidentes. Coizinha convidou João Gaspar para ir também, chegando em São Luiz, foram bem recepcionados com os demais. Salomão falou a todos que queria apoio e todos responderam que estavam prontos a colaborar. Na oportunidade, o candidato convidou Coizinha e João Gaspar ao seu escritório, prometeu várias ajudas, inclusive um Sistema de Atendimento Hospitalar.
Ao retornar, Coizinha avisou aos pescadores, mas faltavam transporte para buscar o material. Passando em frente à Prefeitura, ele encontra Ten. Capitania e Mário Baixinho tomando cerveja, se aproximou e contou a situação ao Tenente, ele pediu que Mário verificasse com Almerita para saber quando seu caminhão fosse a São Luiz e trouxesse o material. Depressa Coizinha foi com Mário à casa dela e lhe contou a história, ela perguntou onde ele tinha encontrado um homem tão rico como Salomão para atrapalhar os votos de seu candidato. Ele respondeu que tinha sido chamado pelo candidato, que seu voto era dele e os outros votariam se quisessem.
Mário falava delicadamente com Almerita, dizendo que o importante era ajudar a Colônia, mas até aquele presente momento ela não dava uma resposta, só depois de uma conversa ela se rendeu. Na manhã seguinte, Coizinha passa para o mercado, ouve a voz do Prefeito Zilmar e resolve encostar para comunicar o mesmo assunto, mas ele já era sabedor. Zilmar fez a mesma pergunta, onde Coizinha encontrou aquele homem tão rico para atrapalhar seus votos, ele respondeu que não tinha culpa e que só tinha sido chamado para apoiar a sua candidatura. O prefeito muito irritado usou de má fé e disse o que Salomão havia prometido aos pescadores "era igualmente merda" o que interessava mesmo era dinheiro.
Sem resposta nenhuma, Coizinha levantou dizendo que contaria o acontecido aos pescadores e, os mesmos resolveriam a situação. Ele pediu que Chico Cururú avisasse aos pescadores que tinha um assunto muito delicado a comunicá-los. Depois da chegada de todos, o Presidente contou o assunto e pediu que quem estivesse disposto a ajudar Salomão Souza assinasse no Livro de Ata e, todos assinaram exceto Chagas Lima, totalizando mais de 60 assinatura. Salomão resolveu vir em Tutóia, reuniram-se no Bairro São José, ele contou seu interesse em ajudar e falou a respeito do material que havia prometido, disse que seu carro era pequeno mas trazia o máximo que coubesse.
Passaram-se uns dias, Coizinha e João Gaspar resolveram buscar o material em São Luiz. Trouxeram bacia niquelada, balança de peso, dentre outros. Na madrugada, o pessoal comemorou com foguetes, a chegada do material, que foi desembarcado na sede Continental. Marcharam para a luta, pedindo votos à Salomão recontando que o mesmo não era candidato de prometer, fazia era dar. Quando a eleição se aproximava, o candidato chamou o presidente a São Luiz, a fim de distribuir dinheiro para a campanha. Coizinha foi, levando em sua companhia Raimundo Altino e a filha de Chico Peteca, receberam 16.000 cruzados no escritório do candidato. Tal dinheiro já vinha destinado aos povoados Paulino Neves, Tutóia Velha, Taboal, Bairro São José, Porto de Areia, Arpoador e Tutóia, a fim de fazer as despesas, mas Salomão não conseguiu eleger-se.
Coizinha e Alício chegaram na Sala de Salomão, estava uma cartolina contendo os lugares que ele teve votos. Alício leu a quantidade que ele teve em Tutóia, totalizou-se em 186 votos. Certo dia, Coizinha conversando com Bebeto sobre as possibilidades de conseguir Bolsas de Estudos para alunos carentes. Bebeto avisou que era necessário ir a São Luiz. Coizinha e João Gaspar entraram em contato com ele e resolveram ir em São Luiz. Marcaram o encontro às 8:00 horas na Câmara dos deputados e, Bebeto fala com um Deputado a respeito das Bolsas, o mesmo procurou no seu gabinete e, ainda encontrou quatro. As mesmas foram entregues a Coizinha, e ele trouxe para Tutóia, custavam cada o equivalente a 800 cruzados.
Das quatro, foi entregue uma para Graça Diniz, a fim dela doar a uma pessoa carente em Paulino Neves, uma Chagas Lima pediu para sua filha, que se encontrava em dificuldades financeiras. As duas restantes, Coizinha ficou sem saber o que faria, pois se desse para um, o outro já não ficaria satisfeito. Então Graça Diniz, pediu que ele procurasse o Prof. Manuel da Paz, pois ele tinha uma solução ideal. Coizinha comunicou o assunto a Manuel, e ele disse que já tinha duas pessoas que necessitavam, eram duas filhas de Dulce da Cruz. Tais bolsas, pareceu abençoadas, não teve ninguém que ficasse reprovado, depois de tudo agradeceram a Coizinha. Chagas Lima, aproveitando a oportunidade, convidou-lhe para um almoço no dia da festa de formatura de sua filha e pediu o nome do deputado que também iria agradecer-lhe. Sem saber o dia da festa, Coizinha ficou esperando um comunicado, a mesma foi realizada e nem sequer Coizinha tomou conhecimento, só ficou sabendo por meio de terceiros, três dias após. Ainda em seu mandato, Coizinha colocou uma professora (filha de Edmundo) para ensinar os filhos dos pescadores na sede Continental, tudo isto era feito com dificuldades, mas em benefício dos próprios alunos. No período, os pescadores contribuíram com suas mensalidades, mesmo muito pequenas, mas de grande serventia para a Colônia.
Além disto tudo havia de restante na Colônia, um grande gerador, que servia muito para iluminar os festejos das comunidades vizinhas. Pelo seu grande potencial, o mesmo deu um defeito, isto o povo comentava que Diringa tinha tirado as peças para colocar em seu barco, o que não era verdade. Estando o gerador com defeito, foi necessário encaminhar para a Solmar, empresa de Cardoso, que se comprometeu a restaurá-lo. Como o serviço custava se realizar, Coizinha resolveu procurar o mecânico para saber a respeito, o cidadão falou que faltava a peça chamada bico.
Numa viagem para Santo Antônio, Coizinha resolveu pedir a peça a Manelão e Mimico, que comprometeram-se a comprar em Parnaíba. Já com a peça em poder, ele pediu que Massa Fina consertasse o gerador, pois se aproximava o Festejo do bairro São José e o pessoal estava necessitando. No dia do festejo, o povo estava mais para ver se realmente as peças estavam no gerador ou se Diringa havia tirado,mas com muito trabalho, Massa Fina deu um jeito e o motor funcionou, causando alegria a todos e alívio a Coizinha.
Não durou muito tempo o gerador pifou, então Coizinha resolvei comprar um plástico (encerado) em São Luís, a fim de protegê-lo contra sol e chuva. Depois disso tudo ele pergunta a si mesmo onde está tal gerador? Certo dia estava ele e Biné na sede Continental quando chega um amigo de Cardoso, com uma máquina de escrever. Ele veio no intuito de doara máquina a Coizinha, mas ele tinha onde deixá-la, então resolveu colocar na Colônia. Ele ainda hoje não sabe da existência de tal máquina. Ainda naquele tempo, existia um aparelho chamado fonia que se encontrava defeituoso, pois as válvulas estavam queimadas o levou à Teresina para conserto o povo achava que ele tinha levado para vender. Depois de algum tempo ele conseguiu restaurar o aparelho, através de uns amigos, e trouxe para a Colônia, o mesmo foi testado como recuperado por José Carlos. Este, ainda não sabe se existe na Colônia.
Obs.: Ainda em seu mandato, que durou 1 ano e 9 meses, Coizinha construiu a sede da Colônia, mas não conseguiu inaugurá-la, tendo em vista que faltava um pequeno reboco na parede, além de tudo adoeceu e teve que se afastar, dando seus 3 últimos meses a Chagas Lima, acreditando ele, que o problema do reboco ainda não foi solucionado.
Numa viagem a Teresina, Coizinha conseguiu 15 camisas com Antônio dos Santos, as mesmas foram doadas ao time do Povoado Taboal.
Na oportunidade, comunico-lhes aos senhores, que esta obra e os acontecimentos neta escritos, são de teoria própria, sem conhecimento de terceiros.
E, finalmente companheiros, peço desculpas aos 5 presidentes (2 provisórios) que ali passaram e contribuíram bastante para com a Colônia e, aos pescadores que são a existência da mesma.
Tutóia, Março de 1.998.
Francisco Pereira Diniz (Coizinha)